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25 de março de 2020, 18h33

Governadores do Nordeste divulgam carta conjunta em que se dizem “frustrados” com Bolsonaro

"Ficamos frustrados com o posicionamento agressivo da Presidência da República, que deveria exercer o seu papel de liderança e coalizão em nome do Brasil", diz o texto da carta, assinado pelos governadores dos nove estados da região


Os governadores dos estados do Nordeste Rui Costa (BA), Renan Filho
(AL), Camilo Santana (CE), Flávio Dino (MA), João Azevedo
(PA), Paulo Câmara (PE), Wellington Dias (Piauí), Fátima Bezerra (RN) e
Belivaldo Chagas (SE) publicaram, nesta quarta (25) uma carta a respeito da crise do novo coronavírus e as declarações de Bolsonaro em pronunciamento.


“O momento vivido pelo Brasil é gravíssimo. O Coronavírus é um adversário a ser vencido com muito trabalho, bom senso e equilíbrio;
vamos continuar adotando medidas baseadas no que afirma a ciência seguindo orientação de profissionais de saúde, capacitados para lidar com a realidade atual; vamos manter as medidas preventivas gradualmente revistas de acordo com os registros informados pelos órgãos oficiais de saúde de cada região” diz o texto.

O Ceará é, disparado, o estado mais afetado da região, com 164 casos registrados. Atrás dele estão Bahia, Pernambuco e Rio Grande do Norte. Os outros estados ainda tem poucos registrados.

“É um momento de guerra contra uma doença altamente contagiosa e com milhares de vítimas fatais. A decisão prioritária é a de cuidar da vida das pessoas, não esquecendo da responsabilidade de administrar a economia dos estados. É um momento de união, de se esquecer diferenças políticas e partidárias. Acirramentos só farão prejudicar a gestão da crise”, segue a carta.

Os governadores ainda concordam que cabe ao Governo Federal uma ação urgente dirigida aos trabalhadores informais e autônomos e declaram que “agressões e brigas não salvarão o País. O Brasil precisa de responsabilidade e serenidade para encontrar soluções equilibradas” e também solicita a urgência de “coordenação e cooperação nacional” para proteger empregos e a sobrevivência dos mais pobres.
“Ficamos frustrados com o posicionamento agressivo da Presidência da República, que deveria exercer o seu papel de liderança e coalizão em nome do Brasil”, finaliza o texto.

Em entrevista ao Fórum Onze e Meia desta quarta (25), Flávio Dino, governador do Maranhão, declarou que o discurso de Bolsonaro minimizando a pandemia do coronavírus mostra posições nazistas e eugenistas. “Nazismo é entendido como a síntese de alguns valores, como o extremismo, a violência, o belicismo, com a minimização da dignidade da vida humana. E isso está, infelizmente, presente nas visões quase que eugenistas [do presidente], segundo as quais os bons sobreviverão e os maus morrerão”, comentou o político.


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