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10 de fevereiro de 2019, 13h15

Governo Bolsonaro espiona igreja católica contra “ameaça” de esquerda

A Agência Brasileira de Inteligência (Abin) tem enviado "alertas" ao governo Bolsonaro sobre supostas articulações entre cardeais brasileiros e o Vaticano no sentido de discutir uma "agenda progressista"; “Estamos preocupados e queremos neutralizar isso aí”, disse o ministro Augusto Heleno

General Augusto Heleno. (Foto: Antônio Cruz/Agência Brasil)

O governo de Jair Bolsonaro tem um novo inimigo: a igreja católica. De acordo com reportagem do Estadão publicada neste domingo (10), a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) tem espionado cardeais brasileiros pois eles estariam articulando junto ao Vaticano debates em torno de uma “agenda progressista” que podem fazem forte oposição ao governo.

“Estamos preocupados e queremos neutralizar isso aí”, disse o ministro chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), Augusto Heleno.

Para a GSI, são “alarmantes” os recentes encontros de cardeais brasileiras com o papa, no Vaticano, para discutir a realização do Sínodo sobre a Amazônia, que reunirá, em Roma, bispos de todos os continentes. O intuito do encontro é debater temas como a questão climática, indígena e quilombola, o que representaria uma ameaça ao governo de Bolsonaro, que enxerga a igreja católica brasileira como um braço do PT.

“A questão vai ser objeto de estudo cuidadoso pelo GSI. Vamos entrar a fundo nisso”, disse Heleno, que comanda a “contraofensiva”.

De acordo com o Estadão, escritórios da Abin em Manaus, Belém, Marabá, no sudoeste paraense (epicentro de conflitos agrários), e Boa Vista (que monitoram a presença de estrangeiros nas terras indígenas ianomâmi e Raposa Serra do Sol) estão sendo mobilizados para acompanhar reuniões preparatórias para o Sínodo em paróquias e dioceses.

Pelo Twitter, o ex-prefeito Fernando Haddad (PT), que concorreu à presidência com Bolsonaro, ironizou. “Vaticano comuna: Bolsonaro vê Igreja Católica como opositora, por discutir temas considerados de esquerda, como situação de povos indígenas e quilombolas, e mudanças climáticas”.


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