O que o brasileiro pensa?
29 de junho de 2020, 08h40

Governo Bolsonaro pagou viagem a integrante do grupo de Sara Winter em dia de ato

Vez ou outra, o militante vai a Brasília e cumpre expediente na Secretaria Nacional de Juventude. Uma delas foi no dia da manifestação em frente ao STF com tochas e máscaras

Foto: Redes Sociais

Melquisedeque Sant’ana, um dos integrantes do grupo de extrema-direita “300 do Brasil”, que participou da manifestação com tochas e túnicas similar à Ku Kux Klan em frente ao Supremo Tribunal Federal (STF), estava em Brasília bancado pelo governo do presidente Jair Bolsonaro (Sem Partido-RJ).

O militante é, desde abril, monitor do Sistema Nacional de Juventude (Sinajuve), ligado à Secretaria Nacional de Juventude, do Ministério dos Direitos Humanos.

O bolsista tem 23 anos, mora em Campo Grande (MS) e cursa Gestão Pública em uma faculdade particular. Ele assinou contrato no Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia, do Ministério de Ciência e Tecnologia.

Sant’ana recebe bolsas mensais de R$ 1,2 mil com o objetivo de “levantar dados sobre as unidades de juventude que aderirem ao Sinajuve no Mato Grosso do Sul” e “disseminar informação sobre o Sinajuve no Mato Grosso do Sul”. O contrato vai até março de 2021.

Vez ou outra, o militante vai a Brasília para cumprir expediente na Secretaria Nacional de Juventude. Uma dessas vezes foi exatamente naquele fim de maio, quando o grupo chefiado pela extremista Sara “Winter” Geromini se postou em frente ao STF com tochas e máscaras.

“Estive sim na manifestação das tochas no Supremo, junto com os 300 e a Sara. Não foi nada nazista como o pessoal falou. Não foi para confrontar, mas para mostrar nosso luto pelo país. Até onde eu sei, não sou alvo do STF. O processo corre em segredo judicial. A gente não sabe, né?”, disse Sant’ana.

Os pagamentos de passagens e diárias ao militante, por serem recentes,  ainda não foram publicados. O portal registra apenas que Melquisedeque recebeu R$ 2.700 do ministério dos Direitos Humanos para ficar 11 dias na capital federal em fevereiro e ir à Conferência Nacional de Juventude.

Ele nega ser um integrante dos 300, mas admite que já foi à chácara onde o grupo acampava e deu “apoio” ao movimento.

“A chácara não tinha nada demais, era só um local para o pessoal tomar banho. Estive lá uma vez. Eu dava apoio mais no acampamento em frente ao Ministério da Agricultura”.

Foto: Redes Sociais

Em suas redes sociais, Sant’ana prega o impeachment de Alexandre de Moraes e xinga o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, que proibiu os acampamentos de manifestantes na Esplanada dos Ministérios.

A Secretaria Nacional de Juventude não comentou sobre a participação de Sant’ana no ato, mas afirmou que a concessão da bolsa ocorreu “dentro da regularidade e atendeu a critérios técnicos”.

Com informações da coluna de Guilherme Amado, na Época


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