Mensagens de Sara Winter revelam que Olavo de Carvalho seria o mentor do acampamento dos 300

Em mensagem obtida pela PF, Sara Winter diz a Allan dos Santos que conversou com o guru do clã Bolsonaro e que tem "coisas importantes para falar sobre desobediência civil".

Eduardo Bolsonaro e Olavo de Carvalho (Reprodução/Facebook)
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Mensagens do celular de Sara "Winter" Geromini, reveladas pela revista Crusoé, mostram que Olavo de Carvalho teria sido o mentor e uma espécie de guia do chamado "Acampamento dos 300", grupo de apoiadores de Jair Bolsonaro (PL) que promoveu atos contra o Supremo Tribunal Federal (STF) e o Congresso Nacional em abril de 2020 em Brasília.

Em troca de mensagens com Allan dos Santos, Geromini, que foi presa e abandonada por Bolsonaro, diz que recebeu orientações "sérias" e "arriscadas" em conversa de mais de uma hora com o guru e precisaria falar diretamente com o blogueiro, que está foragido nos EUA.

"Tenho coisas importantes para falar sobre desobediência civil", diz a ex-bolsonarista.

Em mensagens do celular, a PF ainda tomou conhecimento dos preparativos da ação do grupo, quando Sara fala em "técnicas de subversão".

"Serão 10 horas de treinamento gratuito em técnias de protesto, técnicas de subversão. Dia 30 começaremos atos coordenados com estratégia", diz um dos textos.

Em mensagem ao também blogueiro bolsonarista Oswaldo Eustáquio, Sara diz que segue "orientação do professor Olavo de Carvalho".

"Boa noite, Oswaldo Eustáquio, eu, Fernando Lisboa e outros youtubers, sob orientaçã do professor Olavo de Carvalho estamos organizando um acampamento. Não definimos data ainda. Faremos a primeira reunião hoje aqui em casa em Brasília. O que acha de somarmos os atos. A Marcha para Brasília com destino final do acampamento. Seria fantástico", escreveu ela no dia 21 de abril de 2020.

Olavo de Carvalho, que mora nos EUA, veio para o Brasil para fazer um tratamento de saúde pelo Sistema Único de Saúde (SUS), mas saiu foragido antes de ser interrogado pela polícia.

O guru do clã Bolsonaro enfrentou mais de 30 horas de viagem de carro até Assunção, no Uruguai, para de lá pegar o vôo para os EUA sem precisar passar por bases da PF nos aeroportos brasileiros.