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22 de agosto de 2019, 07h57

Guru ultra-liberal aconselha governo Bolsonaro a “doar” empresas estatais

Com amigos que apoiam Bolsonaro, o economista estadunidense Christopher Lingle está em São Paulo a convite do Centro de Liberdade Econômica da Universidade Mackenzie

O guru ultra-liberal Christopher Lingle (Reprodução/Youtube)

Cortejado nos círculos ultra-liberais, o economista estadunidense Christopher Lingle, que está em São Paulo a convite do Centro de Liberdade Econômica da Universidade Mackenzie, disse que o governo Jair Bolsonaro deveria doar as empresas estatais, em vez de vendê-las.

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“Privatização faz sentido porque ativa capital morto. O problema com o Estado tentar vender ativos públicos é que está sempre esperando os melhores preços, porque acredita que o aspecto importante é receita. Mas na verdade o benefício da privatização é a transferência de propriedade pública para privada. O jeito mais rápido de fazer isso e melhor é doar”, afirmou ele, que ressaltou que tem muitos amigos que apoiam Bolsonaro.

“Muitos de meus amigos brasileiros o apoiam. Quero ser otimista. Mas otimismo sobre líderes políticos é algo perigoso”, disse, quando indagado sobre como vê o início do governo Bolsonaro, em entrevista à Folha de S.Paulo nesta quinta-feira (22).

Para ele, a doação das empresas estatais poderia ser feita em uma espécie de loteria, com um sorteio na TV. “Poderia ser feito por meio de uma loteria. Faz um sorteio na TV, e alguém fica com o palácio presidencial, por exemplo.”

Rússia
Lingle citou como exemplo a Rússia, onde várias empresas foram transferidas para mãos privadas após o fim do regime socialista, num esquema corrupto de repartição de bens públicos.

“Na Rússia, várias empresas foram privatizadas com base na transferência de ações para indivíduos privados. Isso poderia ser usado como modelo”, disse, antes de responder sobre a questão da corrupção nas estatais russas, apontando a Petrobras.

“Não há corrupção na Petrobras? Não há grandes perdas econômicas na forma como ela opera? Ao menos você escapa do ciclo pelo qual essas decisões são feitas de forma política para uma onde o mercado decide”, afirmou.


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