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31 de agosto de 2019, 10h06

Há três anos, Dilma fazia discurso histórico após ser comunicada oficialmente sobre impeachment

"A história será implacável com eles", dizia Dilma em pronunciamento no dia 31 de agosto de 2016

Foto: Roberto Stuckert Filho

Em 31 de agosto de 2016, o golpe contra a presidenta Dilma Rousseff era consumado no Senado Federal. O impeachment, movido com claras motivações políticas e sem crime de responsabilidade, recebia a chancela de 61 dos 81 senadores e colocava fim no mandato da primeira mulher eleita presidenta no país. Em resposta, Dilma fez um duro e emocionado pronunciamento, em que destacou que a história seria implacável contra os golpistas.

“Travei bons combates. Perdi alguns, venci muitos e, neste momento, me inspiro em Darcy Ribeiro para dizer: não gostaria de estar no lugar dos que se julgam vencedores. A história será implacável com eles. […] Neste momento, não direi adeus a vocês. Tenho certeza de que posso dizer ‘até daqui a pouco'”, declarou a ex-presidenta em discurso emocionado.

Dilma ainda profetizou o que viria pela frente, destacando que o golpe não acabava ali. “O projeto nacional progressista, inclusivo e democrático que represento está sendo interrompido por uma poderosa força conservadora e reacionária, com o apoio de uma imprensa facciosa e venal. Vão capturar as instituições do Estado para colocá-las a serviço do mais radical liberalismo econômico e do retrocesso social”, declarou.

“Acabam de derrubar a primeira mulher presidenta do Brasil, sem que haja qualquer justificativa constitucional para este impeachment. Mas o golpe não foi cometido apenas contra mim e contra o meu partido. Isto foi apenas o começo. O golpe vai atingir indistintamente qualquer organização política progressista e democrática”, disse ainda.

O golpe de 2016 abriu brecha para a emergência de figuras como o Jair Bolsonaro, eleito presidente da República em 2018 em uma eleição marcada por mais um golpe contra a democracia: a prisão do ex-presidente Lula. A criminalização da esquerda, como previu Dilma, não se limitou ao PT – e nem apenas à esquerda -, alinhada com a proliferação de notícias falsas promoveu uma onda conservadora nas urnas com reflexos na presidência e no Congresso Nacional.

Confira a íntegra do pronunciamento.


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