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05 de junho de 2019, 06h00

“Há uma tentativa de asfixiar a comunicação e a democracia”, diz deputado Márcio Jerry

Para o congressista, a crescente intimidação de jornalistas representa uma ameaça à comunicação brasileira e há necessidade de encontrar caminhos para reverter o ódio disseminado a partir das redes sociais

Foto: CDHM

O aumento de casos de violência contra a imprensa e comunicadores brasileiros é parte de um projeto político em curso no país, na opinião de Márcio Jerry (PCdoB-MA). Presente na audiência pública conjunta realizada pelas Comissões de Cultura e Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados na tarde da terça-feira (4), o parlamentar afirmou que a crescente intimidação de jornalistas representa uma ameaça à comunicação brasileira e que é preciso encontrar caminhos para reverter o ódio disseminado a partir das redes sociais.

“Há uma deliberada política, com começo, meio e fim – que não sei qual será e por isso devemos até evitá-lo –, no intuito de se asfixiar a comunicação, de se asfixiar a democracia, de se espalhar um clima intimidatório por meio destas ações de violência que há nas redes (sociais), especialmente”, argumentou o parlamentar. “Este é um momento novo, desafiador, grave, que tem repercussões concretas e profundas no ordenamento político, institucional, jurídico, na sociabilidade contemporânea”, disse.

Vítima do fenômeno das fake news, de agressões e ameaças ao longo dos últimos cinco anos, Leonardo Sakamoto, repórter e professor da Universidade de São Paulo (USP), afirmou que o crescimento no número de ataques a profissionais nas redes sociais, sobretudo a partir da campanha eleitoral de 2018, têm gerado uma sobreposição do ódio que têm culminado em ações extremas.

Para ele, o ódio difundido por perfis não identificáveis têm transbordado as mídias e sido transferido para o cotidiano em razão da segurança que o anonimato nas redes sociais gera. Em sua opinião, é preciso criar formas de criminalizar campanhas de difamação contra profissionais de imprensa e suas famílias e rever legislações que tratam da federalização da investigação de crimes contra a liberdade de expressão para que a sensação de impunidade não se imponha sobre a necessidade de difundir as informações.

De acordo com Sakamoto, “jornalistas vêm sendo desumanizados”, deixando de ser vistos como profissionais que contribuem para a manutenção da liberdade e é preciso que lideranças “baixem o fogo”, do contrário “qualquer ação por parte da sociedade será inútil”.

“Não há democracia de qualidade sem liberdade de expressão, sem liberdade de imprensa”, recordou. “A partir do momento em que os jornalistas do país começam a temer pela sua vida, pela sua integridade e a de sua família, a democracia sofre e não se efetiva totalmente”, comentou.

O encontro também reuniu o diretor-geral da Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert), Cristiano Flores, a diretora-interina da ONG Artigo 19, Laura Tresca, e o diretor de Proteção e Defesa dos Direitos Humanos, do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, Herbert Paes de Barros.


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