Seja #sóciofórum. Clique aqui e saiba como
12 de fevereiro de 2019, 16h06

Haddad: “Bolsonaro juntou o pior das direitas: neoliberalismo e obscurantismo”

Entrevistado pela TV 247, o ex-candidato à presidência pelo PT falou sobre Venezuela, o erro de Ciro Gomes em acreditar que poderia chegar o segundo turno sem o PT e a sua preocupação com os rumos do Brasil

(Foto: Ricardo Stuckert)

“Hoje os principais inimigos públicos no Brasil são artistas, cientistas e educadores. Está tudo em risco.” Esta afirmação expressa a preocupação de Fernando Haddad com o país de Jair Bolsonaro na presidência. Em entrevista à TV 247, nesta terça-feira (12), o ex-prefeito de São Paulo e ex-ministro da Educação criticou os retrocessos que vêm sendo anunciados pelo governo atual, entre eles a volta dos manicômios.

“Ficamos apavorados com o que está em marcha. É um festival”, disse, citando as falas do atual ministro da Educação, Ricardo Vélez Rodríguez. Em recentes entrevistas, o ministro declarou que universidades não são para todos e disse que o brasileiro é um “canibal”. “Rouba coisas dos hotéis, rouba o assento salva-vidas do avião; ele acha que sai de casa e pode carregar tudo.”

Para Haddad, “Bolsonaro conseguiu juntar o prior das direitas: o neoliberalismo de um lado e o obscurantismo, de outro”.

Ele contou que em dezembro e janeiro conversou com diversas lideranças democráticas do mundo, como Bernie Sanders, e que todos estão extremamente preocupados com o futuro do país após a eleição de Bolsonaro. “Os democratas nunca se preocupariam com alternância do poder, é parte do jogo. Não é disso que estamos tratando, é uma tentativa de mudança de regime.”

Eleições de 2018

Questionado se chegou a pensar alguma vez em mudar de partido diante do antipetismo que se instalou no país, Haddad afirmou que “não teria chegado ao segundo turno sem o PT e criticou Ciro Gomes. “Não há hipótese de um candidato de centro-esquerda chegar ao segundo turno sem o apoio do PT. Se houve um erro de cálculo da parte do Ciro foi esse”, disse. “Respeito a tradição do PDT, mas entendo que o campo de centro-esquerda tem que se entender para enfrentarmos o desafio desse obscurantismo que está tomando conta do país com graves consequências para sociabilidade.”

Sobre a Venezuela e a polêmica em relação à ida de Gleisi Hoffmann à posse de Nicolás Maduro, Haddad voltou a afirmar o que disse em entrevista ao El País. “Quanto mais nós ouvirmos, mais saberemos comunicar nossas decisões. Precisamos saber comunicar nossas decisões. Sempre defendemos a autodeterminação dos povos. Nascemos contestando o autoritarismo de esquerda. Nós nascemos do desejo de construir uma sociedade justa sem abrir mão dos princípios democráticos. Tudo isso tem que ser bem comunicado”, destacou.


Quantas matérias por dia você lê da Fórum?

Você já pensou nisso? Em quantas vezes por dia você lê conteúdos esclarecedores, sérios, comprometidos com os interesses do povo e a soberania do Brasil e que têm a assinatura da Fórum? Pois então, que tal fazer parte do grupo que apoia este projeto? Que tal contribuir pra que ele fique cada vez maior. Bora lá. Apoie já.

Apoie a Fórum