Haddad sobre dono do Itaú: "Quer um Bolsonaro com verniz"

Em rara entrevista, Alfredo Setúbal criticou possível impeachment de Bolsonaro e disse que Lula teve um "fim do governo ruim", após elogiar o petista e declarar apoio a Doria para a "terceira via"

Fernando Haddad (Foto: Ricardo Stuckert)
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O ex-prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), comentou nas redes sociais a entrevista de Alfredo Setúbal, presidente da Itaúsa – holding que controla o Itaú –, que defendeu o nome do governador de São Paulo, João Doria (PSDB), como "terceira via" para a disputa presidencial em 2022.

Para Haddad, o grupo de banqueiros e empresários capitaneados por Setúbal quer "um Bolsonaro de verniz" para a disputa eleitoral do próximo ano.

"A turma da banca quer um Bolsonaro com verniz. Na falta, vão de Bolsonaro mesmo", tuitou Haddad.

https://twitter.com/Haddad_Fernando/status/1442792497663647744

Na entrevista ao jornal O Globo, Setúbal criticou um possível impeachment de Bolsonaro – “Como um país sério pode ter três impeachments em 30 anos? Isso não é parlamentarismo” – e declarou abertamente apoio ao governador de São Paulo, João Doria (PSDB), na disputa presidencial em 2022.

O banqueiro diz ainda que “qualquer um que ganhar pegará o país em frangalhos” e que “Lula foi um bom presidente”, antes de criticar o segundo mandato do petista.

“Seu primeiro mandato manteve a politica econômica bem apertada, a inflação baixa, o Brasil cresceu. Ele se beneficiou do boom das commodities, de condições favoráveis que se encerraram com a crise do Lehman Brothers. A partir dali, o fim do governo foi muito ruim. Ele gastou muito pra eleger a Dilma, o déficit fiscal foi enorme. As consequências foram muito ruins e culminaram na recessão a partir de 2014 e no impeachment da Dilma. Mas, mais que anti-Lula, os empresários querem alguma coisa pró-Brasil. Eu não acho que é um sentimento anti-Lula, eu acho que é um sentimento de mudança, esse modelo não está dando certo. Por isso que se fala da terceira via. Lula e Bolsonaro já passaram pelos governos. O Brasil precisa renovar”, concluiu.