Fórum Educação
22 de Maio de 2020, 15h35

Heleno avança contra STF, apela para “privacidade” de Bolsonaro e diz que apreensão de celular é “inacreditável”

Pedido de apreensão criticado pelo chefe do GSI faz parte da investigação sobre suposta interferência de Bolsonaro na Polícia Federal; Dino classificou nota de Heleno como ameaça ao STF

Foto: Fábio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

O ministro chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) da presidência, general Augusto Heleno, divulgou nota de tom ameaçador na tarde desta sexta-feira (22) em que critica o pedido de apreensão dos celulares de Jair Bolsonaro e de seu filho, Carlos Bolsonaro, na investigação sobre suposta interferência do presidente na Polícia Federal.

Pela manhã, o ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), pediu à Procuradoria-Geral da República (PGR) que se manifeste sobre o pedido de apreensão dos aparelhos.

Para Heleno, o pedido é “inconcebível e inacreditável”. “Caso se efetivasse, seria uma afronta à autoridade máxima do Poder Executivo e uma interferência inadmissível de outro poder, na privacidade do presidente da República e na segurança institucional do país”, escreveu.

Na nota, o general afirma ainda que “tal atitude é uma tentativa de comprometer a harmonia entre os poderes”.

O governador do Maranhão, Flávio Dino, se manifestou nas redes sociais sobre as críticas de Heleno e classificou a nota do chefe da GSI como uma “ameaça ao STF”.

“A nota do general Heleno constitui inaceitável ameaça ao Supremo Tribunal Federal. Na República, nenhuma autoridade está imune a investigações ou acima da Lei. E na democracia não existe tutela militar sobre os Poderes constitucionais”, escreveu Dino.

Além da manifestação da PGR sobre a apreensão dos celulares, Celso de Mello determinou, ainda, a divulgação do vídeo da polêmica reunião ministerial do gabinete do presidente Jair Bolsonaro de 22 de abril.

Segundo informações do jornalista Fernando Molica, da rede CNN Brasil, o magistrado vai retirar os trechos da reunião em que os ministros falam sobre o Paraguai e a China para não afetar a relação com os países, mas o restante da gravação será divulgada por completo.

Segundo informações difundidas pela imprensa, na conversa, que comprovaria a interferência de Bolsonaro na PF, o ex-capitão e ministros ofendem governadores, o Supremo Tribunal Federal, países parceiros comerciais e defendem manifestações armadas.


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