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04 de outubro de 2019, 12h00

Henrique Alves reage aos ataques de Janot

No bombástico livro “Nada menos que tudo”, o ex-procurador-geral da República faz acusações ao ex-deputado federal

Foto: José Cruz / Agência Brasil

O ex-deputado federal, Henrique Alves (MDB-RN), reagiu aos ataques feitos pelo ex-procurador-geral da República, Rodrigo Janot. Sem mencionar trechos nos quais foi citado, o ex-presidente da Câmara afirma que não reconhece os encontros descritos no livro “Nada menos que tudo”, lançado por Janot.

“Depois de orquestrar delações para atingir seus objetivos políticos, o ex-PGR Rodrigo Janot se aposenta e escreve um livro. Nos primeiros vazamentos dessa publicação para a imprensa, é relatado diálogo mentiroso de que jamais participei, de momento que não condiz com a história, usando palavras e pleitos que não refletem minha forma de agir, me expressar e muito menos ouvir. Parece que o sr. Janot não se aposentou da prática de agredir os fatos e a verdade. Seguirei com fé que ela prevalecerá”, rebateu Alves.

No livro, Janot dedica três páginas para relatar episódios envolvendo o ex-deputado. O ex-PGR disse que Alves “também se esforçou muito para ficar de fora da lista de investigados”.

Janot afirma que aceitou receber o então deputado em, pelo menos, três audiências. Um uma delas, Alves teria chorado ao perceber que um dos inquéritos que o investigara havia sido arquivado.

Em outra oportunidade, assim que entrou no gabinete de Janot, Alves recebeu o famoso “envelope pardo” onde geralmente o PGR colocava os ofícios comunicando políticos sobre a decisão de prosseguir com o inquérito ou solicitar o arquivamento da investigação. Como agradecimento, Alves teria enviado uma garrafa de cachaça para Janot.

“Ali estava o conteúdo da minha decisão. Ele (Henrique) pareceu hesitante em abrir e ler a mensagem. Por fim, quando o fez, baixou a cabeça e começou a chorar. Tentou dizer algo, mas não conseguiu e foi embora. O nome dele estava na lista, mas na dos que teriam o pedido de inquérito arquivado. Era só mais um despacho regular, com base na lei, mas Alves ficou exultante. Alguns dias depois, me mandou uma garrafa de cachaça de presente. Era uma cachaça especial, e eu, seu mais novo amigo na praça, saberia apreciar melhor que ele. Ok, a cachaça está guardada”, diz um trecho do livro.

“Racional”

“Dias depois, ele me escreveu uma carta de próprio punho para agradecer, ‘agora de forma racional’, meu gesto ‘de correção, ética e, sobretudo, justiça’, pelas informações reservadas que tinha transmitido a ele. Ora, o envelope pardo com o aviso sobre estar ou não sendo investigado era uma regra, não uma decisão excepcional”, relata.

“Não demorou muito para ele descobrir que a cachacinha, a carta e as promessas de amizade sincera não criaram efeito vinculante. No decorrer das investigações, o nome de Henrique Alves surgiu em várias delações. Numa delas, ele aparece como destinatário de propinas em contas no exterior num esquema do ex-deputado Eduardo Cunha. Por causa das delações, Alves teve que ser afastado do Ministério do Turismo e acabou preso por decisões de Varas Federais do Rio Grande do Norte e de Brasília”, diz outro trecho do livro.

Escândalo

O ex-procurador-geral cita, ainda, o escândalo envolvendo uma conta no exterior com 15 milhões de dólares, fato que custou a candidatura de Alves à vice-presidência da República em 2002, na chapa com José Serra (PSDB).

“Se fizermos a atualização, era uma soma ainda maior que a montanha de 50 milhões encontrada num apartamento do ex-ministro Geddel Vieira Lima em Salvador, em janeiro de 2018. Os tropeços do passado, embora retumbantes, não impediram uma progressão na carreira”, ressaltou.

Com informações da Agência Saiba Mais


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