quinta-feira, 29 out 2020
Publicidade

Humilhação: tropa de choque de Bolsonaro interrompe Guedes e o retira de coletiva

O outrora “superministro” foi forçado a deixar a entrevista pelo secretário de governo Luiz Eduardo Ramos (militar) e pelo deputado Ricardo Barros (PP-PR), líder do governo na Câmara

Uma entrevista coletiva realizada nesta quarta-feira (23) em Brasília terminou com uma cena no mínimo constrangedora, e talvez seja até incorreto dizer que “terminou”, porque o que se viu foi o ministro da Economia, Paulo Guedes, sendo empurrado e obrigado a “terminar” a entrevista, sem nem mesmo concluir sua linha de raciocínio, intimidado por um ministro e pelo líder do governo na Câmara.

Guedes explicava aos jornalistas sobre as ideias para o seu “programa de substituição tributária” e dava a entender que ele incluiria a criação de um novo imposto, pois isso ajudaria a “fazer uma aterrissagem suave do nosso programa de auxílio emergencial”, quando recebeu um tapinha no ombro do secretário de governo, o general Luiz Eduardo Ramos, e imediatamente deixou de falar, tentando sair de forma apressada.

Ramos continuou com a mão sobre o ombro de Guedes enquanto ele saia. Quando os jornalistas perguntaram, o outrora “superministro” interrompeu sua “fuga” para dizer “agora tem a articulação política”. Porém, segundos antes de dizer essa frase, é possível ver que ele aponta o polegar para Ramos, dando a entender que sua saída era por pressão do ministro-general.

Além de Ramos, quem também atuou na “tropa de choque” bolsonarista sobre Guedes foi o líder do governo na Câmara, deputado Ricardo Barros (PP-PR). Durante toda a entrevista, os dois atuaram praticamente como “escoltas” do ministro da Economia, e trocaram olhares segundos antes do secretário de governo dar o tapinha no ombro, o que permite supor que combinaram entre eles a retirada do economista antes de efetuá-la.

Victor Farinelli
Victor Farinelli
Jornalista formado pela Universidade Católica de Santos, há 15 anos é correspondente na Argentina (2004 e 2005) e no Chile (desde 2006).