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14 de fevereiro de 2018, 21h26

Igreja Católica rechaça apoio a candidatos que apoiem a violência, diz CNBB

A cúpula da Igreja Católica brasileira não apoiará candidatos que sustentem discursos que incentivem mais violência, como o de Bolsonaro, que apoia a distribuição de mais armas; para a entidade, reformas de Temer também podem ser consideradas como formas de violência

Cardeal Sérgio da Rocha, presidente da CNBB. (Foto: Wilson Dias/Agência Brasil)

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), cúpula da Igreja Católica no Brasil, lançou nesta quarta-feira (14) a Campanha da Fraternidade de 2018 cujo lema é “Fraternidade e superação da violência”. Em entrevista após o lançamento da campanha, em Brasília, o presidente da entidade e arcebispo metropolitano de Brasília, cardeal Sérgio da Rocha, informou que a Igreja não apoiará, nas eleições deste ano, candidatos que promovam o discurso da violência.

“É lamentável que se apresente soluções para superar a violência recorrendo a mais violência. A Igreja, é claro, nessas eleições, como sempre faz, estará orientando os próprios eleitores, não substituindo a consciência dos eleitores, mas ajudando a formar consciência. Nós queremos candidatos comprometidos com a justiça social e a paz. Não [queremos] candidatos que promovam ainda mais a violência”, afirmou, sem se referir a nenhum candidato em específico.
Na mesma entrevista, no entanto, Rocha reafirmou a posição da Igreja Católica de ser favorável ao Estatuto do Desarmamento, o que já dá a entender que a CNBB não declarará apoio a Jair Bolsonaro (PSC-SP) que, apesar de se colocar como católico e cristão, tem entre suas principais pautas a revogação do Estatuto. Bolsonaro, em seus discursos, para além da distribuição de armas, encampa como poucos o discurso da violência.
A CNBB deu a entender, ainda, que não apoiará Temer ou qualquer candidato que encampe as pautas do atual governo, já que interpreta as reformas trabalhista e da Previdência também como formas de violência.
“Os textos não abordam diretamente [as reformas], mas é claro que são violências. Nós sentimos isso. Vejo que até o Carnaval, no enredo, mostrou tanto a violência quanto a corrupção, as chamadas reformas sem ouvir o povo, os aposentados”, disse Leonardo Steiner, secretário-geral da entidade.

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