sexta-feira, 23 out 2020
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Impeachment: Witzel chora, nega ser genocida e diz que jamais apoiou extrema-direita

"Eu tenho um filho que convive com a intolerância. Como eu posso ser esse genocida que os senhores me acusam? ", disse o governador

“Senhores parlamentes, estamos matando a nossa democracia”, disse o governador afastado do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, em discurso na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro durante sessão que vai analisar a abertura de uma comissão processante contra o governador Wilson Witzel em razão de processo de impeachment que aponta desvios na saúde. Ele não foi até a Alerj e fez o discurso por videoconferência.

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“Até agora o que tem acontecido é algo absolutamente injusto. Não tive o direito de falar nem na assembleia e nem nos tribunais. Estou sendo linchado moralmente e politicamente sem direito de defesa”, disse o governador durante o discurso. Segundo Witzel, a denúncia é “inepta” e a responsabilidade dos desvios não é só dele, mas também dos deputados.

O governador ainda fez comparações com Tiradentes e Jesus Cristo, citou a Bíblia, Winston Churchill, o livro Como as Democracias Morrem e o jornalista Merval Pereira. Ao ler um texto escrito pelo jornalista da Globo, Witzel fez a seguinte afirmação: “Eu jamais apoiei a extrema-direita”.

Witzel, que defendeu que se deve “atirar na cabecinha” de criminosos, ainda negou ser “genocida” e atacou o PSOL. “Eu tenho um filho que convive com a intolerância. Como eu posso ser intolerante? Como eu posso ser esse genocida que os senhores me acusam? Como eu posso que a polícia mate preto, pobre e favelado? Os policiais honrados morrem nas ruas, não é com pobrezinho na favela não, é com traficante. Vocês nunca tiveram de ir num velório de um desses homens. Ninguém do PSOL levanta a voz pra falar do tráfico de armas e de drogas, mas chamam de coitadinhos os pretos, pobres e favelados”, afirmou o governador, ensaiando um choro.

“Muito deputados ficam repetindo do ‘tiro na cabecinha’, mas não é o meu pensamento. Eu não autoriza nenhuma a matar”, disse o governador no fim do discurso, voltando ao assunto.

Ele também citou o impeachment da ex-presidenta Dilma Rousseff. “A esquerda, que diz até hoje que a presidenta Dilma sofreu um golpe de Estado, hoje, eu não vi nenhuma voz ser levantada”, declarou.

O Ministério Público e o Poder Judiciário também foram alvos. “Quem será o próximo? A escolha é do Ministério Público com suas teorias especulativas que vendem jornais e são acatadas como verdades absolutas”, afirmou.

Segundo o governador, a população está “atônita” em vê-lo afastado e, já prevendo uma derrota acachapante, o governador disse que “a unanimidade é burra”.

Lucas Rocha
Lucas Rocha
Jornalista da Sucursal do Rio de Janeiro da Fórum.