quarta-feira, 30 set 2020
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Intimados: Carlos e Eduardo Bolsonaro vão ter que depor na Polícia Federal sobre atos antidemocráticos

Depoimento acontece no âmbito do inquérito do STF que apura atos bolsonaristas contra as instituições que envolveria, inclusive, lavagem de dinheiro

Como parte do inquérito do Supremo Tribunal Federal (STF) que apura os atos antidemocráticos realizados por bolsonaristas, a Polícia Federal intimou o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) e o vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ) a prestarem depoimento.

Os irmãos, entretanto, não estão entre os investigados e, por hora, eles farão os depoimentos na condição de testemunhas. O depoimento de Eduardo Bolsonaro à PF está marcado para o dia 22. Já o de Carlos estava marcado para o dia 10 deste mês, e a PF não informou se ele foi realizado ou se será feito em outra data, de acordo com informações da CNN Brasil, que teve acesso ao inquérito.

As investigações do STF sobre a realização de atos contra as instituições estão avançando e já é trabalhada a possibilidade dessas manifestações terem sido realizadas com esquemas ilegais de financiamento, que poderiam envolver bolsonaristas com cargos políticos, e até mesmo lavagem de dinheiro.

Tanto os irmãos Bolsonaro quanto o presidente Jair Bolsonaro já chegaram a participar desses atos e o presidente, inclusive, já fez incentivos a essas manifestações que, por atentarem contra instituições, são consideradas ilegais. Nenhum deles se manifestou sobre a intimação da PF.

Milícias digitais e lavagem de dinheiro

O inquérito que apura os atos antidemocráticos é o mesmo que apura as milícias digitais bolsonaristas. Em entrevista recente, o ministro do STF, Alexandre de Moraes, afirmou que as chamadas milícias digitais praticam “grande lavagem de dinheiro”.

“No primeiro momento você financia as fakenews, a partir disso, com a monetização, começa a ocorrer um autofinanciamento e algo muito interessante, que não vou entrar em detalhes para não atrapalhar a investigação, é que provavelmente essas milícias digitais estão fazendo há alguns anos uma grande lavagem de dinheiro”, disse Moraes, que é relator do inquérito das Fake News no STF e que, inclusive, já chegou a colocar bolsonaristas na prisão.

Segundo Moraes, a lavagem de dinheiro é feita através da venda de cursos, lives e sites de crowdfunding.  “Se faz essa lavagem e acaba limpando esse dinheiro, que pode retornar via doações, inclusive eleitorais”, afirmou. Neste sentido, o ministro informou que um dos objetivos é levar o caso fechado ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), já que esse tipo de ação pode financiar campanhas políticas. Ele diz também que, para além de intenções eleitorais, há milicianos digitais enriquecendo ilegalmente com o esquema.

No final de maio, a Polícia Federal, no âmbito do inquérito relatado por Moraes, desencadeou uma operação para colher provas sobre o funcionamento das milícias digitais e todos os alvos são bolsonaristas. Estão na mira da investigação, por exemplo, empresários como Luciano Hang, da Hava, blogueiros que se autodefinem como jornalista, como Allan dos Santos, agitadores como a extremista Sara Winter e, inclusive, parlamentares, como Bia Kicis e Carla Zambelli, ambas do PSL.

Confira a lista de bolsonaristas supostamente envolvidos nas milícias digitais aqui.

Ivan Longo
Ivan Longo
Jornalista e repórter especial da Revista Fórum.