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14 de fevereiro de 2020, 11h12

Exclusivo: Irmãos Weintraub usaram nome da Unifesp para “vender” reforma da Previdência

Apresentação de Arthur Weintraub feita no Congresso em 2017, usando irregularmente o nome da universidade, foi decisiva para que os irmãos se aproximassem de Jair Bolsonaro

Os irmãos Arthur e Abraham Weintraub com Bolsonaro (Reprodução/Twitter)

Um documento de 2018 que traz o registro da primeira reunião do departamento de Ciências Atuariais da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) mostra que Arthur e Abraham Weintraub, na época professores da instituição, de fato usaram o Centro de Estudos em Seguridade (CES) irregularmente em nome da Unifesp. O mesmo documento mostra que Arthur foi duramente criticado e denunciado por alunos e professores da instituição, que pediram sua demissão por prestar apoio “científico” ao então deputado federal Jair Bolsonaro.

Leia também: Professor que aprovou Weintraub em concurso da Unifesp virou sócio do ministro

Na ata da reunião, Arthur confirma que foi convidado para participar do Seminário Internacional sobre a Reforma da Previdência do Congresso Nacional e que, para tanto, utilizou o Centro de Estudos em Seguridade (CES), inaugurado em 2015, para apresentar sua proposta de reforma da Previdência em nome da Unifesp.

O CES, no entanto, operava irregularmente, pois nunca foi aprovado pelo Conselho Universitário (CONSU) ou teve acompanhamento de outros órgãos da instituição, como o Conselho de Administração. Na apresentação de slides utilizada por Arthur, há a definição de que o CES é uma “associação de docentes de contabilidade e atuária da Unifesp”.

Capa do PowerPoint utilizado por Arthur Weintraub em apresentação no Congresso
Capa do PowerPoint utilizado por Arthur Weintraub em apresentação no Congresso

Diferente da definição que Arthur sustenta na apresentação, o CES não fala em nome da universidade e chegou a ser denunciado, em 2018, por fazer uso indevido do nome da Unifesp. A sindicância foi encerrada em 22 de maio de 2019, pouco mais de um mês após Weintraub assumir o Ministério da Educação. A comissão designada para análise do caso comprovou o uso irregular do logotipo da universidade federal pelo CES, mas não aplicou nenhum tipo de punição ao já ministros e seus sócios.

A ata da reunião ainda revela que foi a partir desta apresentação feita no Congresso Nacional que os irmãos Weintraub se aproximaram de Onyx Lorenzoni e, posteriormente, de Jair Bolsonaro. Com isso, em julho de 2017, os irmãos declararam apoio “científico” ao deputado.

“Vários deputados federais e senadores, dentre eles Onyx Lorenzoni, gostaram e o procuraram pedindo mais propostas, também, na área de economia. [Arthur] destacou que seu irmão e ele possuíam o CES, Centro de Estudos em Seguridade, que seria uma associação sem fins lucrativos, no qual participam professores e pesquisadores. Após alguns meses, o deputado Onyx o procurou dizendo que havia outros deputados interessados em seu trabalho, dentre aqueles, o deputado Jair Bolsonaro”, diz a ata.

O relato então prossegue, mostrando que Arthur achava que Bolsonaro tinha um pensamento muito radical, mas que Lorenzoni o tranquilizou dizendo que a mídia brasileira distorcia as informações. “Dessa maneira, ao melhor se informar, seu irmão Abraham e ele se deram conta que essa conduta radical seria mentira”, afirma a ata.

A aproximação dos irmãos com Bolsonaro através da Unifesp gerou inúmeras críticas e denúncias por parte de alunos e professores, como pode ser comprovado pela mesma ata da reunião.

“Os Centros Acadêmicos dos cursos de Relações Internacionais e Economia por considerarem o campus democrático e plural, através de uma mensagem, julgaram que os professores Abraham e Arthur não tinham direito de dar o apoio científico ao candidato Jair Bolsonaro e que deveria haver, talvez, punição por conta disso”, diz o trecho. Em outro, há a menção de que chefes de departamento da Unifesp pediram a demissão de Arthur Weintraub por seu “apoio científico” a Bolsonaro.


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