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11 de abril de 2019, 08h55

Itamaraty barra homenagem de formandos a diplomata que denunciou a farsa da invasão ao Iraque

Após aceitar o convite dos alunos do Instituto Rio Branco, o diplomata aposentado José Maurício Blustani conta ter sido informado de que seu nome não havia sido aceito

O embaixador José Maurício Bustani - Foto: Lula Marques/Folhapress

De acordo com reportagem Ricardo Della Coletta, na Folha de S.Paulo nesta quinta-feira (11), o Itamaraty, comandado pelo ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, vetou que formandos do Instituto Rio Branco homenageassem o embaixador aposentado José Maurício Blustani – que, no passado, protagonizou conflito com o hoje conselheiro de Segurança Nacional da Casa Branca, John Bolton, apontado como o principal interlocutor entre os governos Jair Bolsonaro e Donald Trump.

Em nota, o Itamaraty negou a interferência, alegando que Ernesto Araújo ou outros membros da cúpula do órgão sequer tinham conhecimento sobre o convite dos futuros diplomatas.

Mas a informação foi confirmada por diplomatas que pediram anonimato por temerem represália e pelo próprio Bustani.

Em fevereiro, ele recebeu o convite para ser o paraninfo da turma, em reconhecimento a seu trabalho à frente da Organização para a Proibição de Armas Químicas (Opaq), da ONU.

“Algumas semanas depois eu recebi a comunicação de que realmente o meu nome não tinha sido aprovado. Ponto. Não disseram nem onde nem porquê”, disse o diplomata aposentado.

Bustani saiu da direção da Opaq em 2002 por pressões do governo George W. Bush, por combater a farsa criada pelos Estados Unidos para justificar a invasão ao Iraque de Saddam Hussein, então acusado de possuir arsenal químico – o que, posteriormente, ficou comprovado ser mentira.

As fontes ouvidas pela Folha apontam que a seleção do diplomata aposentada criaria “saia justa” para Araújo e Bolsonaro, pois, tradicionalmente, o presidente da República comparece à cerimônia de formatura do Rio Branco.

À Folha, a assessoria de imprensa do Itamaraty informou que a turma escolheu a embaixadora Eugenia Barthelmess como paraninfa.

Em 2018, ainda no governo do ex-presidente Michel Temer, os formandos os diplomatas escolheram Marielle Franco como patrona.


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