“Jamais me impedirão de ficar ao lado do meu velho”, diz Carluxo após revelação de que participou de reunião com a Pfizer

Vereador do Rio, que mesmo sem ter cargo no Executivo participou de tratativas no Planalto, sugeriu que as pessoas que o criticam "odeiam os pais" e anunciou nova ida a Brasília

O filho do presidente e vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ), conhecido como Carluxo, se queixou nas redes sociais, na noite desta quinta-feira (13), pelas críticas recebidas após vir à tona a notícia de que ele participou de uma reunião com representante da Pfizer para tratar de vacinas no Palácio do Planalto.

Carluxo não tem cargo no Executivo mas, mesmo assim, tem transito livre no Palácio do Planalto, e sua participação em tratativas sobre as vacinas, revelada por Carlos Murillo, gerente-geral da Pfizer na América Latina, na CPI do Genocídio, vem sendo motivo de questionamentos.

“Desde quando ser filho do presidente autoriza alguém a participar de reuniões que decidem medidas vitais para o país como a compra de vacinas? Carluxo é vereador, não ministro e, do que sei, cursou ciências aeronáuticas, portanto, nada entende de vacina”, disse, por exemplo, o líder do PT na Câmara, deputado Bohn Gass (PT-RS), em meio a inúmeras outras críticas do tipo no meio político.

O vereador, no entanto, reagiu afirmando que as pessoas querem impedi-lo de ficar próximo ao seu pai. “Sei que existem pessoas que não gostam dos seus e outros ‘forçam’ você a não gostar do seu. Jamais me impedirão de ficar ao lado do meu velho, mesmo que por pouco tempo atualmente!”, escreveu em suas redes sociais.

Ele ainda sugeriu que os críticos “odeiam seus próprios pais” e ainda anunciou uma nova ida a Brasília. Confira.

Reunião com a Pfizer

Em depoimento à CPI do Genocídio nesta quinta-feira (13), Carlos Murillo, gerente-geral da Pfizer na América Latina, revelou que o vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ) esteve em ao menos uma reunião para tratativas da compra da vacina produzida pelo laboratório para combate ao coronavírus.

Após consultar ata de reunião em que a direção jurídica da empresa fez com o ex-secretário de Comunicação, Fabio Wajngarten, no dia 7 de dezembro Murillo revelou a presença do filho de Jair Bolsonaro, o que comprova que Carlos faz parte de um ministério da Saúde paralelo que municia o presidente com informações sobre a Covid-19.

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“O ex-secretário pediu para representantes da Pfizer esclarecimentos a respeito dos entraves relacionados aos aspectos legais. Participantes iniciais: Wajngarten (Secom), João Paulo (compliance Secom), Cesar [inaudível] (chefe de gabiente Secom), Felipe Cruz (Secretário de comunicação institucional Secom), Shirley Meschke, diretora jurídica Pfizer, Elisa San Martin, Relações Governamentais Pfizer. Após aproximadamente uma hora de reunião, Fabio recebeu uma ligação. Sai da sala e retorna para a reunião. Minutos depois entra na sala da reunião: Felipe Garcia Martins, assessoria internacional da Presidência da República, Carlos Bolsonaro…”, afirmou Murillo, ouvindo um “muito obrigado” do presidente da CPI, Omar Aziz (MDB-AM).

Renan Calheiros, então, pediu para ele continuar. “Carlos ficou brevemente na sala. Felipe Martins ainda ficou na reunião. A reunião foi encerrada logo na sequência e os representantes da Pfizer saíram do Palácio do Planalto”, afirmou.

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Ivan Longo

Jornalista, editor de Política, desde 2014 na revista Fórum. Formado pela Faculdade Cásper Líbero (SP). Twitter @ivanlongo_

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