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28 de dezembro de 2019, 16h12

Janaina Paschoal compara parto normal à “gestação de elefantes”

Autora de um projeto de Lei que incentiva a cirurgia cesariana, Janaína Paschoal diz que a questão vai além da ideologia e esconde "interesses econômicos", mas esconde que o Brasil vive uma epidemia de cesáreas, sendo o segundo país do mundo onde mais se realiza o procedimento cirúrgico

Janaína Paschoal - Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado

Autora de um projeto de Lei que incentiva a cirurgia cesariana, a deputada estadual Janaína Paschoal (PSL-SP) comparou em tuíte neste sábado (28) o parto normal à gestação de elefantes para defender a criminalização da negativa de realização da cesárea.

“Acreditem, ou não, uma mulher com 42 semanas de gestação foi mandada de volta para casa! Estamos falando de gestações humanas, não de elefantes! Diante de Resolução e lei vigentes, a negativa de cesárea, com resultado morte de mãe e/ou bebê, vai caracterizar crime doloso!”, tuitou a deputada, em uma sequência de tuítes em que diz ter recebido mensagens de mulheres que tentaram fazer cesariana e não conseguiram.

A deputada ainda faz uma comparação esdrúxula entre as salas de parto natural e os centros cirúrgicos, onde são realizadas as cesáreas. “Se o repasse é o mesmo, o que vocês acham que enseja maior investimento: uma sala coletiva, com várias mulheres gritando, tendo seus filhos praticamente sozinhas, ou a manutenção de um bom centro cirúrgico, com obstetras e anestesistas? Só não vê quem não quer!”.

Janaína diz que a questão vai além da ideologia e esconde “interesses econômicos”, dizendo que “existem metas de partos normais a serem cumpridas, a fim de receber repasses.

“A ideologia é a roupagem usada para disfarçar interesses econômicos. Existem metas (de partos normais) a serem cumpridas, a fim de receber repasses”, tuitou.

Janaína, no entanto, não diz que o Brasil é o segundo país do mundo onde mais se realizam cirurgias cesarianas, a ponto de especialistas dizerem que há uma epidemia desse tipo de procedimento cirúrgico no país.

Enquanto a Organização Mundial da Saúde (OMS) estabelece em até 15% a proporção recomendada, no Brasil esse percentual chega a 57%. Grande parte dessas cesarianas é feita de forma eletiva, sem fatores de risco que justifiquem a cirurgia, e antes de a mulher entrar em trabalho de parto.

Em muitas localidades, faltam condições de assistência que favoreçam o sucesso do parto vaginal, tanto no setor público como no privado, disse a obstetra Roseli Nomura, da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), em entrevista a Agência Senado em 2018.

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