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26 de setembro de 2019, 23h20

Janot diz que Aécio o ofereceu cargo de vice-presidente para barrar investigações

"É óbvio que era uma tentativa de cooptação. As investigações da Odebrecht estavam andando", disse o ex-PGR sobre o convite de Aécio, que queria ser candidato à presidência em 2018, para que Janot fosse seu vice; ex-PGR revelou ainda ter recebido proposta parecida de Michel Temer, também em uma aparente tentativa de barrar investigações

Reprodução

Rodrigo Janot resolveu disparar sua metralhadora giratória. Ele revelou ao Estadão, nesta quinta-feira (26), que chegou a ir armado ao Supremo Tribunal Federal (STF) para matar o ministro Gilmar Mendes, sinalizou que o ex-juiz Sérgio Moro protegia Eduardo Cunha e, em uma série de revelações feitas à revista Veja, disse que o deputado federal Aécio Neves (PSDB-MG), em 2017, o convidou para ser candidato a vice-presidente em uma chapa com o tucano.

O ex-procurador-geral da República não aceitou o convite, e avaliou que aquela era uma tentativa de Aécio Neves de paralisar as investigações de corrupção contra ele. “Certo dia, em 2017, meu conterrâneo, o senador Aécio, sentiu que o clima estava aquecendo com as investigações sobre a Odebrecht e me convidou para ser ministro da Justiça quando ele fosse eleito presidente da República no ano seguinte. Eu, é claro, declinei. Dias depois, ele voltou e me fez outra proposta: ‘Quero pedir desculpa. O convite não estava à sua altura. Eu acho que você podia ser o meu vice-­presidente. Você escolhe qualquer partido da base, filia-se e vai ser o meu vice-presidente. Isso vai ser um fato mundial. O vice-presidente chama embaixadores, representantes de Estado e ele vai para a cozinha cozinhar para essas pessoas. Eu sei que você gosta de cozinhar’. É óbvio que era uma tentativa de cooptação. As investigações da Odebrecht estavam andando e depois o caso JBS foi o tiro de misericórdia contra ele”, contou Janot.

Ele revelou ainda que recebeu uma proposta muito parecida do ex-presidente Michel Temer, que também teria como objetivo se blindar das investigações que pesavam contra ele. “O ex-­ministro Eliseu Padilha me sondou para que eu partisse para um terceiro mandato como procurador-geral da República. Depois fui sondado para ser ministro do Supremo. Na sequência, Gustavo Rocha (ex-­subchefe de Assuntos Jurídicos e ex-­ministro dos Direitos Humanos) me ofereceu o cargo que eu quisesse. Eu brinquei que queria ser embaixador do Brasil na Comunidade de Países de Língua Portuguesa, porque eu moraria em Lisboa, não faria nada e seria como a rainha da Inglaterra. O Gustavo Rocha disse na hora: ‘O cargo é seu, é seu’. Mas eu estava brincando”, detalhou o ex-PGR.


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