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24 de setembro de 2019, 08h28

Janot lança biografia como Procurador-Geral e mira em Temer

"Esse homem é muito perigoso, e a gente não sabe quais as consequências que poderão vir dele", teria dito Temer sobre Eduardo Cunha ao ex-PGR

Montagem

O ex-procurador-geral da República, Rodrigo Janot, vai lançar daqui duas semanas a sua biografia “Nada menos do que tudo”, escrita pelos jornalistas Jailton de Carvalho e Guilherme Evelyn. Nela, há uma cena em que o então vice-presidente Michel Temer pedia a Janot, em março de 2015, que ele não investigasse Eduardo Cunha, recém-eleito na época para a Presidência da Câmara.

Janot conta que estava almoçando em sua churrascaria favorita em Brasília quando recebeu um telefonema. Era a secretária da vice-presidência, dizendo que Temer queria vê-lo no Palácio do Jaburu. Ao chegar lá, Janot conta ter sido recebido por Temer e por Henrique Eduardo Alves e levado para uma varanda coberta do palácio.

“Eu chamei o senhor aqui porque quero conversar não com o procurador-geral da República, mas com um brasileiro preocupado com o Brasil, com um patriota”, teria dito Temer. Em seguida, sem meias palavras, Henrique Alves disse a Janot que ele não poderia investigar Cunha: “Cunha é um louco, pode reagir de forma imprevisível e colocar o Brasil em risco. Confiamos no senhor como brasileiro e como patriota para manter a estabilidade do país”, disse Alves, na versão de Janot.

Janot afirma ter se virado para Michel Temer e o questionado: “O senhor é do Direito, a minha área, ele (Henrique Alves) não é. O senhor está entendendo a gravidade do que ele está propondo ao procurador-geral da República?”, perguntou Janot.

“Ele está propondo ao patriota Rodrigo Janot. Esse homem é muito perigoso, e a gente não sabe quais as consequências que poderão vir dele. Então apelamos para que o senhor não leve a cabo essa investigação, que a arquive”, teria pedido Temer.

Então, Janot conta ter respondido de forma dura com os dois. “O que os senhores estão me propondo aqui é que eu cometa um crime de prevaricação. Isso eu não farei jamais”, relata. “Vocês é que são os não patriotas. Como é que vocês fizeram uma merda dessas?”, acrescentou.


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