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24 de janeiro de 2020, 15h30

Jones Manoel rebate Intercept após dizer que teve direito de resposta negado

O historiador criticou a postura do veículo e disse que a publicação que o cita é um "panfleto anticomunista"; Intercept informou que ofereceu diferentes opções de resposta a Jones

Jones Manoel (Reprodução/Facebook)

O historiador Jones Manoel escreveu uma nota pública nesta quinta-feira (24) após dizer que o The Intercept Brasil negou direito de resposta a ele. Manoel, que possui grande relevância nas redes sociais pelas suas posições à esquerda, foi citado em uma polêmica matéria publicada pelo veículo em que a esquerda brasileira é criticada por defender revoluções e referências comunistas como Vladimir Lênin.

“Bem, escrevo essa nota pública para deixar bem claro que o TIB me negou direito de resposta”, inicia o historiador. Ele narra que chegou a ser convidado para escrever uma artigo, junto de Samuel Silva Borges, “no espaço para ‘tretas da esquerda’ do TIB”. Manoel aceitou escrever, mas apenas se lhe fosse concedido o direito de resposta no texto escrito por Tatiana Dias e Rafael Moro Martins. Esta opção foi negada.

O nome do professor aparece no seguinte trecho: “Parece inacreditável – e é. O historiador e influenciador marxista Jones Manoel não corou em falar publicamente que matar pessoas em uma revolução ‘é uma contingência que acontece’. Fuzilar uma família aqui, matar outros tantos milhões de fome ali, torturar e assassinar indiscriminadamente e promover o terror entre os dissidentes. Assim mesmo. É normal, efeito colateral”.

Segundo Manoel, houve uma modificação no que foi dito por ele. “Destacaram o trecho de um twitte onde eu falo que numa revolução pessoas morrem, é uma contingência (um simples truísmo histórico), mas excluíram, é claro, a afirmação seguinte onde eu digo que os bolcheviques não venceram a guerra civil com flores. […] A seleção de que trecho destacar diz muito”, afirmou.

Manoel conta ainda que o veículo pareceu estar “adorando” a repercussão do caso e que lidou de uma forma irônica e arrogante com ele.

“Dito isso, só aceito escrever para o TIB se for reconhecido minha necessidade de direito de resposta. Não vou tratar como uma simples coluna normal ao naturalizar esse modo de agir quase macarthista”, finaliza.

Em nota enviada à Fórum, o The Intercept disse que deu duas possibilidades para Manoel se manifestar e segue aberto para a publicação de um texto do historiador.

“O historiador Jones Manoel entrou em contato com o Intercept após a publicação do artigo “Elogiar ditadores é a melhor maneira de a esquerda continuar perdendo”. Como foi citado, ele solicitou direito de resposta. O Intercept respondeu ao pedido com duas possibilidades. A primeira: que ele enviasse sua resposta, que seria publicada nos padrões que a imprensa adota, ao final do artigo. A segunda: que ele escrevesse um texto rebatendo os argumentos do artigo original. Este texto, seguindo os padrões editoriais do Intercept, seria editado para se adequar à linguagem do site e para checar a precisão das informações, e seria remunerado. O tratamento ao texto seria o mesmo que damos a todos os conteúdos publicados no Intercept – sem exceção. O Intercept continua aberto para a publicação de um texto do historiador”, diz a nota, na íntegra.

Ataques a Talíria Petrone

A reportagem foi usada também por sites bolsonaristas para atacar a deputada federal Talíria Petrone. Allan dos Santos, editor do site Terça Livre, disse que o Intercept “calou a boca” da parlamentar. Petrone, no entanto, escreveu um artigo em resposta, condenando a “confusão e mentira no debate Lênin e a Revolução Russa”.

Leia aqui a resposta completa de Jones Manoel


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