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07 de março de 2019, 19h08

Jornalista explica como funciona a “máquina de linchamentos virtuais” de Bolsonaro

Em série de tuítes, Marlos Ápyus conta como observa os métodos do presidente para destruir os adversários em potencial

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O governo de Jair Bolsonaro já deu mostras suficientes de que não mede esforços e consequências para “atropelar” qualquer um que se mostre adversário. Isso se evidenciou, até mesmo, antes de ganhar a eleição, durante a campanha. Os métodos para obter êxito, frequentemente, fogem completamente à ética.

O jornalista Marlos Ápyus fez uma série de tuítes com o objetivo de explicar o funcionamento da “máquina de linchamentos virtuais” de Bolsonaro. Vejam alguns:

“Jair Bolsonaro levou para dentro do Palácio do Planalto uma ‘máquina’ de promover linchamentos virtuais e assassinar reputações de qualquer adversário externo ou mesmo interno. Essa longa ‘thread’ irá explicar o problema a quem ainda não o compreende.

O combate às ‘fake news’ era uma preocupação anterior à campanha de 2018. Tanto que Luiz Fux, na condição de presidente do TSE, habituou-se a vir a público dizer que as eleições poderiam ser anuladas ‘por causa de fake news’.

Mas antes, durante e depois da campanha, observou-se um fenômeno que ia muito além da proliferação de notícias falsas. Tocado por milhares de contas, as redes sociais foram tomadas por hordas que assassinavam a reputação de alvos específicos…

…até que a vítima restringisse o acesso aos próprios perfis, calasse sobre o tema que deu origem aos ataques ou, em casos mais graves, deixasse de fazer uso público da internet como um todo. Esse nítido ato de censura é o que chamamos aqui de ‘linchamento virtual’.

A prática é abjeta. Além de tolher a liberdade de expressão do cidadão brasileiro, dificulta a proliferação de informações valiosas, radicaliza o debate político e afasta profissionais que agiam de boa fé – abrindo espaço à má fé explícita.

Com a reputação manchada, as vítimas chegam a perder empregos, enfrentam dificuldade para se recolocarem no Mercado e, em casos extremos, como o narrado por Gustavo Bebianno, vivem episódios depressivos que podem dar fim à própria vida.

A insanidade, contudo, parecia ter método. Porque os alvos tinham algo em comum: por formarem opiniões contrárias ou se apresentarem como eventuais adversários políticos, eram entendidos como obstáculos ao projeto de poder de Jair Bolsonaro, atual presidente do Brasil.

As vítimas podiam ser desde cidadãos comuns donos de uma opinião polêmica que viralizou, passando por jornalistas que traziam informações ou opiniões incômodas, e chegando até mesmo a presidenciáveis que, de tão agredidos, desistiam do pleito.

Isso, claro, levantou suspeitas de que o próprio Bolsonaro poderia estar por trás dos ataques. Com o tempo, o noticiário forneceria fortes evidências de que a suspeita tinha razão de ser.

Hoje, resta evidente que a prática continuou mesmo após a posse do presidente, voltando-se até mesmo contra membros do governo que de alguma forma desagradam uma ala mais radical — justo a que toca os linchamentos virtuais.

Qualquer cidadão que surja como um obstáculo ao discurso político de Jair Bolsonaro pode ser convertido em alvo de um linchamento virtual. Mas a preferência clara é por jornalistas que apresentam fatos ou opiniões incômodas.

Contudo, como surgirá nos exemplos a seguir, nem membros do Governo Bolsonaro estão livres dos ataques. Nem mesmo o vice-presidente da República.

Em alguns casos, perfis falsos foram criados para ludibriar a opinião pública, com o próprio presidente da República compartilhando o resultado da fraude.

Criaram perfis falsos ridicularizando o trabalho dos jornalistas Andreia Sadi, Reinaldo Azevedo, Mônica Bergamo, Patricia Campos Mello e vários outros. O próprio presidente da República seguia e compartilhava o resultado da fraude”.

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