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25 de setembro de 2019, 06h41

Juiz que absolveu Lula e Frei Chico diz que judiciário tem que colocar Lava Jato nos trilhos

Ali Mazloum disse que a acusação do Ministério Público contra Lula e seu irmão foi baseada em "interpretações e um amontoado de suposições" e que cabe ao poder Judiciário colocar a Lava Jato "nos trilhos da Constituição"

Ali Mazloum (Reprodução)

O juiz federal da 7ª Vara Criminal Federal de São Paulo, Ali Mazloum, responsável por ter rejeitado uma denúncia na semana passada contra o ex-presidente Lula e seu irmão, Frei Chico, disse que o trabalho do Ministério Público foi baseado em “interpretações e um amontoado de suposições” e que o poder Judiciário precisa colocar a Lava Jato “nos trilhos da lei”.

“Quem tem que colocar a Lava Jato nos trilhos da lei, nos trilhos da Constituição, nos trilhos da Justiça é o Poder Judiciário”, disse o magistrado, em entrevista a Wálter Nunes, da Folha de S.Paulo. “Talvez não este atual. Eu acho que este Poder Judiciário atual deixa muito a desejar”, completou.

Mazloum ainda disse acreditar que delações não devem ser a única base para instaurar uma ação, como foi o caso da denúncia contra Lula, que ele rejeitou, na semana passada. “Acredito que muitos operadores do direito, muitas pessoas do setor da imprensa, eles tomam a delação como se elas fossem a prova. E a delação premiada, a colaboração de um corréu, de alguém que praticou um crime também, na verdade é um meio de prova. Não é a prova”, disse.

Para o juiz, houve um abuso desse recurso na apresentação da denúncia contra Lula, além de não terem sido apresentadas provas suficientes contra o ex-presidente, o que ele considera um “erro crasso” por parte do acusador. A acusação feita pelo Ministério Público de São Paulo apontava que Frei Chico recebia uma “mesada” da Odebrecht, a pedido de Lula, para intermediar diálogo entre a empresa e os trabalhadores.

“A denúncia é inepta. Não seria preciso ter aguçado senso de justiça, bastando de um pouco de bom senso para perceber que a acusação está lastreada em interpretações e um amontoado de suposições”, declarou Mazloum, na ocasião em que negou a denúncia.


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