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15 de agosto de 2017, 12h04

Juristas lançam livro que aponta erros na sentença de Moro contra Lula

“Estamos aqui para defender não um homem, mas uma causa, que é a da justiça”, disse o ex-prefeito Fernando Haddad, que também esteve presente no evento, realizado no auditório da PUC-SP

Da Redação*

Foi lançado nesta segunda-feira (14), em São Paulo, o livro Comentários a uma Sentença Anunciada: o Processo Lula, com a presença de advogados e especialistas em direito. Esta obra reúne 103 artigos que apontam problemas e equívocos na sentença do Juiz Sergio Moro, que condenou o ex-presidente Lula no caso do tríplex.

Durante o evento, houve uma palestra para discutir “os impactos causados ao Estado Democrático de Direito, tendo em vista a atual politização e ativismo do Judiciário”. Entre as mais de 200 pessoas que lotaram o auditório da PUC-SP, em Perdizes, estavam o vereador Eduardo Suplicy, deputado federal Paulo Teixeira e o ex-prefeito Fernando Haddad. “Estamos aqui para defender não um homem, mas uma causa, que é a da justiça”, disse Haddad, que ainda falou que é preciso “lutar para reverter a sentença e garantir Lula na urna em 2018”.

Celso Antônio Bandeira de Mello é um dos autores do livro e afirmou que “vivemos um momento terrível, doloroso, mas não podemos ficar com sentimento derrotista, porque isso não leva a nada”. Além dele, o ex-ministro da Justiça José Eduardo Cardozo e os juristas Weida Zancanner, Pedro Estevam Serrano e Lênio Streck também assinam artigos desta obra.

Segundo uma das organizadoras do livro, Carol Proner, já existem outros 22 eventos marcados para as próximas semanas, em várias cidades. “Nós, juristas, estamos preocupados com a ordem jurídica no país, temendo um Estado de exceção (…) A preocupação é que se faça justiça fora do direito”, apontou a advogada e professora. Estão sendo preparadas reimpressões, além da tiragem inicial de 5.000 exemplares, e a tradução da obra para o inglês.

Luís Carlos Moro, advogado trabalhista, que assina um dos textos do livro é chamado pelos colegas como “o Moro do bem”. Enquanto isso, o denominado “Moro do mal” foi alvo de análises dos especialistas presentes. “Ele [Moro] passou a ser um juiz a favor do golpe da presidente Dilma. Não foi mera casualidade”, afirmou o advogado criminalista Alberto Zacharias Toron, quando relembrou o episódio da divulgação do grampo telefônico envolvendo Dilma e o ex-presidente Lula – Toron apontou como uma interceptação ilícita.

*com informações da Folha
Fotos: Lula Marques / AGPT e Ricardo Stuckert


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