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13 de fevereiro de 2020, 19h24

Justiça do RJ investiga esquema de propina envolvendo advogado e Força da Tarefa da Lava Jato

Entre os procuradores estaria Januário Paludo, de Curitiba, que já é alvo de ação penal desde dezembro

Carlos Fernando Santos Lima, Deltan Dallagnol e Januário Paludo, da Lava Jato (Arquivo)

Uma investigação movida contra o advogado criminalista Antônio Augusto de Figueiredo Bastos pode levar a Justiça Federal do Rio de Janeiro a um esquema de propina que envolvia réus delatores, o advogado e integrantes da Força da Tarefa da Lava Jato.

Segundo reportagem de Vasconcelo Quadros, publicada na Agência Pública nesta quinta-feira (13), o chefe do Ministério Público Federal do Rio de Janeiro, Eduardo Hage, denunciou Bastos por “esquema de recolhimento de propinas de doleiros por parte do advogado, que seriam destinadas a membros da Lava Jato”.

O esquema foi descoberto com os acordos de delação premiada dos doleiros Vinicius Claret Vieira Barreto, conhecido por Juca Bala, e Cláudio Fernando Barboza de Souza, o Tony. Entre 2005 e 2013 eles teriam pago uma quantia mensal de US$ 50 mil para que os MP não os investigasse.

“Segundo os procuradores que assinam a denúncia, os dois doleiros trabalhavam para Messer a partir do Uruguai. Juntos, os três participaram diretamente de pelo menos sete das 35 operações de mão dupla, segundo as quais, Basto remetia para o exterior via dólar-cabo para a conta Big Pluto na Suíça e recebia real em espécie no Brasil”, diz trecho da reportagem.

Januário Paludo

Os dois doleiros trabalhavam para o “doleiro dos doleiros”, Dario Messer. Em depoimento dado em outubro de 2018, Messer aponta o procurador Januário Paludo como um dos beneficiários dos pagamentos de propina. A mesma versão foi confirmada pelo ex-advogado da Odebrecht, Rodrigo Tacla Durán.

Paludo é um dos procuradores veteranos da Força-Tarefa da Lava Jato de Curitiba e é visto como referência para os outros integrantes do MP. Nas reportagens da Vaza Jato, as conversas dos procuradores aconteciam – em sua maioria – em grupos chamados “Filhos de Januário”, em referência a Paludo.

“Sendo que esse Paludo é destinatário de pelo menos parte da propina paga pelos meninos todo mês”, foi o que disse Messer. Em nota enviada à Pública, Paludo diz que “nunca teve contato pessoal com o referido doleiro e refuta veementemente as falsas imputações”.

Em dezembro do ano passado, o MPF iniciou investigação para apurar as suspeitas de pagamentos de propina a Paludo. A investigação foi a primeira a ter como alvo um procurador da Operação Lava Jato em Curitiba.

Confira aqui a reportagem da Agência Pública na íntegra


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