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11 de junho de 2019, 19h47

Lava Jato: a conspiração que destruiu o Estado de Direito no Brasil

“A Lava Jato construiu o cenário e a narrativa que deram legitimidade para um impeachment ilegítimo, uma prisão ilegal, o desmonte do sistema político e do parque produtivo nacional”, afirmou o cientista político William Nozaki

Foto: José Cruz/Agência Brasil

Por FUP

Os procuradores da Operação Lava Jato e o então juiz de primeira instância, Sérgio Moro, atualmente ministro da Justiça do governo Jair Bolsonaro, deveriam responder por crime de “associação criminosa”, previsto no artigo 288 do Código Penal brasileiro. É o que defendem os especialistas em Direito, Márcio Sotelo Felippe, Patrick Mariano e Giane Ambrósio Alves, em artigo publicado nesta segunda (10) na revista Cult.

Para eles,as denúncias divulgadas pelo The Intercept no último domingo (9) trazem elementos suficientes para a caracterização desse delito por parte de agentes públicos, que articularam para manipular dados da investigação contra o ex-presidente Lula e outros acusados.

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“Uniram-se [procuradores e Sérgio Moro] para, mediante artifícios, burlar a evidente ausência probatória e influenciar a sociedade a favor de seus anseios particulares. Violaram, assim, de modo incontroverso, princípios relativos à imparcialidade do juiz, ao juiz natural, ao devido processo, à ampla defesa e ao contraditório”, denunciam os advogados no artigo.

Em palestra para os petroleiros durante a VIII Plenária Nacional da FUP, realizada no dia 25 de maio, em Belo Horizonte, o cientista político William Nozaki, pesquisador do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis Zé Eduardo Dutra (Ineep), já havia alertado para essa questão, ao explicar como o projeto de desnacionalização e desmonte do setor do petróleo no Brasil está diretamente relacionado à operação Lava Jato e ao caos que o país vive desde o impeachment da ex-presidenta Dilma Rousseff.

Para ele, a instabilidade permanente, que é a lógica de funcionamento do governo Bolsonaro, é um efeito colateral da desorganização institucional gerada pela Lava Jato. “Ao negligenciar o papel do mercado, dos interesses estrangeiros, da complexidade das variáveis que estão por trás do problema da corrupção, a Lava Jato criou uma narrativa que promoveu uma grande confusão entre o que é a negociação e o que é a negociata e entre o que é a concessão no diálogo político e o que é a corrupção”, afirmou.

Nosaki explicou que isso criou o “cenário necessário para deslegitimação da dinâmica institucional brasileira”, provocando uma crise do presidencialismo de coalizão, que se reflete no modus operandi do governo Bolsonaro, de governar via decretos e medidas provisórias, sem ter bases de sustentação no legislativo, criando um estado permanente de instabilidade.

“É a mesma lógica da operação Lava Jato, desde que foi criada em 2014, através do uso abusivo de delações premiadas, de vazamentos seletivos, prisões preventivas, levando os três poderes a agirem fora do espectro que estava previsto dentro do presidencialismo de coalizão. Isso instaurou o caos institucional no Brasil e abriu as portas para o surgimento do governo Bolsonaro. O bolsonarismo é o filho mais nefasto do lavajatismo”, afirmou.

O pesquisador do Ineep revelou que, além da criminalização do sistema político, a Lava Jato desmontou a indústria nacional e abriu espaço para os interesses estrangeiros que miravam justamente os recursos estratégicos do Brasil. Além das operadoras multinacionais de petróleo que já vêm se apropriando do pré-sal, as fornecedoras estrangeiras do setor também estão sendo beneficiadas por essa rede de interesses privados.

“A Lava Jato construiu o cenário e a narrativa que deram legitimidade para um impeachment ilegítimo, uma prisão ilegal, o desmonte do sistema político e do parque produtivo nacional, abrindo as portas para a privatização da Petrobras e desnacionalização do setor petróleo”, afirmou William.

Leia a íntegra do artigo da Cult


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