Fórum Educação
12 de março de 2020, 07h39

Lava Jato escondeu da PGR acordo com EUA sobre dinheiro da Petrobras para a “fundação Dallagnol”

Nova reportagem da Vaza Jato revela que Deltan Dallagnol só informou oficialmente à PGR quase dois meses depois de iniciar tratativas com o Departamento de Justiça dos EUA sobre fundo bilionário da Petrobras

O procurador Deltan Dallagnol (Arquivo)

Uma nova reportagem do site The Intercept sobre a Vaza Jato, desta vez em parceria com a Agência Pública, mostra que os procuradores da Lava Jato, capitaneados por Deltan Dallagnol esconderam da Procuradoria-Geral da República as tratativas do acordo para repatriar parte da multa bilionária paga pela Petrobras nos Estados Unidos para, mais tarde, lançarem o projeto de uma fundação gerida pela força-tarefa para o “combate à corrupção”.

Leia também: “Os americanos não querem que divulguemos as coisas”, disse Dallagnol sobre conluio com os EUA

Segundo a Vaza Jato, Deltan Dallagnol iniciou as tratativas com representantes do Departamento de Justiça dos Estados Unidos em outubro de 2015, quando uma missão estadunidense esteve no Brasil.

No dia 7 de outubro, o chefe da Lava Jato teria falado com o então chefe do setor de cooperação internacional da Procuradoria-Geral da República (PGR), Vladimir Aras, reclamando de uma reportagem do Jornal GGN, de Luís Nassif, sobre o conluio que estava sendo costurado com os estadunidenses.

Na conversa, Dallagnol avisa a Aras: “Temos que pensar na linha de imprensa quando vier a notícia do 1.6 bi de dólares de multa”. “Era esperado. Mas sossega. Os cães ladram”, responde Aras.

Segundo a reportagem, no dia seguinte, Aras menciona novamente o valor e fala do conluio com o órgão estadunidense para que parte do dinheiro fosse remetido ao Brasil. Enquanto isso, Dallagnol já cogitava a criação de um fundo para receber o dinheiro.

“Contudo, precisamos de alguém que se disponha a estudar e bolar um destino desses valores que agradaria a todos, como um fundo, entidades contra a corrupção, o sistema de saúde público, fundo de direitos difusos, fundo penitenciário, órgãos públicos que combatem corrupção, a transparência internacional Brasil ou contas abertas etc”, escreveu Dallagnol.

Coube a Robson Pozzobon a tarefa de fazer um estudo para receber o dinheiro. “Robito, falei com os americanos hoje e preciso de um prazo para sua proposta, que estudaria, de destinação do dinheiro fruto de assets sharing da colaboração com os americanos. Precisamos ter uma ideia mais concreta do que propor”, disse Dallagnol a Pozzobon, estabelecendo o dia 15 de novembro como dead-line.

Oficialmente, apenas no fim daquele mês, a Lava Jato avisou a PGR sobre as tratativas com o estadunidenses. Um documento enviado pela Lava Jato ao Supremo Tribunal Federal (STF) no ano passado mostra que a PGR só foi informada sobre a possibilidade de “multas ou confiscos de valor bastante Elevado” à Petrobrás em um ofício em 30 de novembro de 2015.

Leia a reportagem na íntegra


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