O que o brasileiro pensa?
15 de julho de 2019, 06h53

Léo Índio, primo de Carlos Bolsonaro, monta “comando de caça a comunistas” particular e faz dossiês para o governo

Assessor parlamentar de senador do DEM, Léo Índio tem atuado como "espião" do governo, visitando estados administrados por partidos de esquerda e preparando dossiês de "infiltrados e comunistas” nos órgãos federais

Leo Índio, o primo de Carlos Bolsonaro (Reprodução)

Léo Índio, assessor parlamentar e primo dos filhos do presidente Jair Bolsonaro, tem extrapolado suas funções como assessor do senador Chico Rodrigues (DEM-RR), vice líder do governo, e atuado como “espião” do governo. Índio viajou para os estados comandados por governadores da oposição e preparado dossiês de “infiltrados e comunistas” nos órgãos federais.

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Com 58 visitas ao Planalto nos 45 primeiros dias do governo Bolsonaro, segundo Renato Onofre do Estadão, Índio possui carta branca para encontrar-se com o presidente. Por vontade própria, o assessor viaja para estados à procura de “alvos incompatíveis” com a administração federal. De maneira amadora, cruza dados e busca identificar a quem um servidor comissionado está ligado.

Durante a ditadura militar no Brasil, simpatizantes do regime montaram o que ficou conhecido como Comando de Caça aos Comunistas (CCC), uma organização paramilitar de extrema direita para perseguir inimigos. Fundado pelo policial civil e estudante de Direito Raul Nogueira de Lima, que se tornaria um torturador no DOPS conhecido como “Raul Careca”, o CCC foi chefiado pelo advogado João Marcos Monteiro Flaquer e recebia treinamento do Exército Brasileiro.

Nos três primeiros meses, Índio foi aos estados do Maranhão, Bahia e Minas Gerais. Os dois primeiros seguem sob administração do PCdoB e do PT, enquanto o último esteve sob o comando do PT até a última eleição.

Nas visitas, além de procurar “comunistas”, o assessor, que ficou conhecido pela proximidade com Carlos Bolsonaro, também faz reuniões com militantes do PSL e já conseguiu garantir cargos a apoiadores.

Questionado pelo Estadão sobre suas funções no governo, ele disse que está “focado nas missões que o senador [Chico Rodrigues] designou”.


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