Lula defende: “Não podemos esquecer que Dilma sofreu um golpe”; veja vídeo

Um dia após Ciro Gomes acusá-lo de "conspiração pelo impeachment" e atacar duramente Dilma Rousseff, Lula saiu em defesa da ex-presidenta. "Aquela 'ponte para o futuro' foi um mentira, porque não tem nenhuma ponte. Tem um abismo"

Em entrevista à Rádio Grande FM, de Dourados (MS), nesta quinta-feira (14), o ex-presidente Lula saiu em defesa do governo de Dilma Rousseff (PT), que foi atacada duramente pelo ex-ministro e pré-candidato do PDT, Ciro Gomes, no dia anterior.

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“A gente não pode esquecer que a Dilma sofreu um golpe. Construíram uma mentira chamada pedaladas. E com essa mentira se construiu uma maioria, que hoje governa o país, para afastar a Dilma dizendo que o PT quebrou o Brasil e o Brasil hoje está infinitamente pior”, afirmou Lula, que foi acusado por Ciro de “conspirar” pelo impeachment da petista.

Lula lembrou com detalhes de como se deu o processo que resultou no golpe, ressaltou os feitos do governo Dilma – como o nível recorde de desemprego – e disse que a ex-presidenta foi “assaltada” da Presidência, “o que foi e está sendo um desastre hoje para o Brasil”.

“Estou convencido que a Dilma fez um bom governo. E a Dilma foi a pessoa mais queimada e assaltada do poder. Aquela famosa ‘ponte para o futuro’ foi um mentira e estamos esperando a ponte para o futuro, porque não tem nenhuma ponte. Tem um abismo”, ressaltou, após lembrar o índice de desemprego histórico.

“Se vocês estão lembrados, nós terminamos 2014 com 4,3% de desemprego, o menor desemprego já existente na história desse país. E a inflação alta, a gente controlava”.

Eduardo Cunha e o golpe

Na explicação sobre o golpe, Lula lembrou da questão econômica, que levou à desastrosa gestão de Joaquim Levy no Ministério da Fazenda, e da chantagem do então presidente da Câmara, Eduardo Cunha (ex-MDB), que hoje atua como conselheiro oculto do governo Bolsonaro.

“O governo da Dilma fez coisas extraordinárias. Houve um desajuste em 2014 quando se adotou uma política de desoneração, na minha opinião exagerada, e depois ela tentou corrigir e já tinha uma figura chamada Eduardo Cunha na Câmara, que diferentemente do papel que o Temer fez para o Fernando Henrique Cardoso em 99, que ajudou a fazer as mudanças no Congresso para poder ajudar a governabilidade, o Eduardo Cunha passou a estabelecer pautas-bombas para que a Dilma tivesse dificuldade de governar. É isso que aconteceu”, contou.

Em seguida, segundo Lula, começou o “inferno astral” de Dilma, que resultou no golpe parlamentar em 2016.

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“Na hora que a Dilma percebeu que precisava fazer uma correção e mandou para o Congresso as medidas de mudanças, o Congresso não aceitou e a Dilma passou a viver seu inferno astral. De um lado o congresso não aprovando as coisas que ela mandava e de outro Eduardo Cunha trabalhando a ideia do impeachment da Dilma. Foi uma situação muito difícil, mas é importante lembrar o que aconteceu no governo da Dilma, em que houve crescimento econômico também. 2009 o Brasil cresceu 3,9%, depois cresceu 2,9%, depois cresceu 2%”, afirmou o ex-presidente.

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Plinio Teodoro

Jornalista, editor de Política da Fórum, especialista em comunicação e relações humanas.

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