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26 de janeiro de 2020, 08h27

Lula descarta Haddad como candidato a prefeito de São Paulo

Em entrevista ao UOL, o ex-presidente disse, ainda, que seu partido deve lançar Marília Arraes à prefeitura de Recife, deixando o apoio ao PSB em caso de segundo turno

O ex-presidente Lula - Foto: Reprodução/TVT

Em entrevista a Leonardo Sakamoto, Marco Britto e Marcos Sérgio Silva, do UOL, Lula voltou a dizer que o PT vai lançar candidato próprio à prefeitura de São Paulo e que não será Fernando Haddad. “É um quadro muito importante, tem uma tarefa nacional e internacional para o PT. Acho que está correto em não querer ser candidato”, afirmou.

“Agora, o PT não tem os grandes nomes que já teve na ativa. O PT tem o Suplicy que quer ser candidato. E se fizer pesquisa e colocar o nome do Suplicy, ele vai surpreender muita gente, porque é muito querido do povo de São Paulo. O PT tem o Haddad, que não quer ser porque já foi. O partido tem que lançar outras pessoas, têm muita gente. Tem o Zarattini, tem o Jilmar Tatto, o Padilha, o Suplicy, o Nabil, tem bastante gente. Cada um desses que se lançar candidato e motivar o partido. Existe uma periferia vermelha aqui em São Paulo que o PT pode, tranquilamente, recuperá-la e ter 30% dos votos, como teve com a Erundina, com a Marta e o Haddad. Vai ser difícil, outros partidos estão crescendo, mas o PT tem esse direito”, refletiu.

O ex-presidente disse, ainda, que seu partido deve lançar Marília Arraes à prefeitura de Recife, deixando o apoio ao PSB em caso de segundo turno.

Periferia

Lula alertou para a necessidade que o PT tem de olhar para a periferia, que está entre o tráfico de drogas e a ação das igrejas evangélicas.

“O que o PT tem que entender é que essas pessoas estão na periferia, oferecendo às pessoas pobres uma saída espiritual. As pessoas estão ilhadas na periferia, sem receber a figura do Estado. E recebem quem? De um lado, o traficante. De outro lado, a Igreja Evangélica, a Igreja Católica”, disse o ex-presidente.

“O PT tem muita gente evangélica. A Marina Silva (hoje na Rede) é evangélica, embora ela tenha começado a sua formação dentro de um convento católico, ela virou evangélica e era uma pessoa ligada à igreja evangélica no meu governo. A Benedita da Silva é um símbolo de uma figura petista evangélica. O Walter Pinheiro, que foi senador pelo PT da Bahia, era evangélico e uma figura muito atuante na igreja. Muita gente na periferia, que é do PT, é evangélica”, acrescentou.

“Acho que o papel do Estado é ser laico, não ter uma posição religiosa. Mas o que o PT tem que entender é que essas pessoas estão na periferia, oferecendo às pessoas pobres uma saída espiritual, uma saída que mistura a fé, com o desemprego, com a economia”, disse.

Bolsonaro

Em relação ao governo de Jair Bolsonaro, afirmou: “Mesmo quem votou contra o Bolsonaro tem que saber o seguinte: ele é presidente. Eu vou ficar sentado na cadeira, dizendo que ele não presta e torcendo para que dê tudo errado? Não. Ele tem a obrigação de governar pensando no bem, no ser humano, no mais pobre, no país, na nossa soberania, nos nossos estudantes, no nosso povo trabalhador… E parar de falar bobagem!”.

Lula também criticou Paulo Guedes, ministro da Economia. “Estou vendo o Guedes anunciar que vai abrir as compras governamentais para as empresas estrangeiras. Você tem noção do que significa isso? Capacidade zero do Estado propor ou ter influência na elaboração de políticas públicas de indução do crescimento econômico”.


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