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03 de julho de 2019, 20h00

Lula diz que há total desinteresse dos militares pela soberania nacional: “Querem vender tudo”

Em relação ao acordo Mercosul-União Europeia, o ex-presidente declarou: “A impressão que tenho é que a União Europeia está tirando proveito de um momento de fragilidade eleitoral do presidente da Argentina”

Foto: Reprodução

Lula falou sobre a postura das Forças Armadas brasileiras, claramente de apoio às políticas de desmonte e venda do patrimônio nacional adotadas pelo governo de Jair Bolsonaro. O ex-presidente concedeu entrevista ao site Sul21, nesta quarta-feira (3).

“Os militares brasileiros, no período da ditadura, não desmontaram a economia nacional. Pelo contrário, fortaleceram o processo de industrialização no país, criaram programas como o do etanol em função da crise do petróleo”, relembrou.

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No entanto, ele disse que hoje, “o que estamos vendo, por meio da posição de alguns militares que falam pelo governo Bolsonaro, é um total desinteresse pela soberania nacional e uma disposição para vender tudo”.

Ele mencionou o que disse em outra entrevista sobre o tema. “Um militar que não defenda a soberania nacional e não é nacionalista nem deveria chegar a general, porque a obrigação das Forças Armadas é defender os interesses do país e de proteger o povo contra inimigos externos. A entrada totalmente desregulamentada do capital estrangeiro para explorar as riquezas brasileiras significa abrir mão da soberania do país”, disse.

“Embora o Bolsonaro bata continência para o Trump, ele está na contramão dele. O Trump é um direitista que utilizou como discurso o fortalecimento do Estado nacional. Resolveu comprar briga com a China, dizendo que era preciso gerar emprego nos Estados Unidos. O Bolsonaro faz exatamente o contrário. Ele está desmontando o Brasil, desmontando a possibilidade de gerar emprego neste país a troco não sei do quê”, avaliou Lula.

Como não poderia deixar de ser, o ex-presidente fez um diagnóstico da situação atual do país. “O que está acontecendo no Brasil é muito estranho. O país está passando por uma metamorfose doentia, onde a questão social não aparece em lugar nenhum. Os médicos cubanos foram embora e disseram que iriam colocar médicos no lugar deles. Já faz seis meses que estão governando e há muitas cidades pelo país que não têm um médico. A sociedade brasileira precisa acordar. O Brasil precisa ser tratado como uma propriedade de 210 milhões de pessoas que têm o direito de viver dignamente”, ressaltou.

Mercosul-União Europeia

O ex-presidente Lula também analisou o recém-anunciado acordo de livre comércio entre a União Europeia e o Mercosul.

Eu lembro do tempo que eu era presidente qual era a ideia da União Europeia. Não sei se isso se manteve. A União Europeia queria fazer um acordo desde que o Brasil e o Mercosul se abrissem para todos os produtos de alto valor tecnológico e de alto valor agregado, para que eles entrassem aqui sem pagar nada. Isso significava quebrar a nossa indústria, significava impedir que países como a Argentina pudessem se reindustrializar. Em troca, eles prometiam importar produtos agrícolas brasileiros”, relembrou Lula.

“A impressão que tenho é que a União Europeia está tirando proveito de um momento de fragilidade eleitoral do presidente da Argentina. Macri está vivendo um momento difícil e, quem sabe, a venda ufanista de um possível acordo que ainda vai ser discutido no parlamento de cada país, possa facilitar a sua eleição. O mesmo raciocínio vale para a visita do Trump ao presidente da Coreia do Norte, que é uma propaganda eminentemente eleitoral. Trump não tinha o que fazer lá. Ele foi tirar foto pra campanha de 2020 que já começou”, analisou.

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