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14 de março de 2018, 12h51

Lula: “Eu não indiquei nenhum ministro na perspectiva de que eles fossem se comportar como meus amigos”

“Nunca pedi favor nenhum a eles. Não é possível que um ministro da Suprema Corte vote em função de pesquisas de opinião pública”, disse o ex-presidente, em entrevista ao site Brasil 247

Lula: “A única explicação que eu entendo sobre o ódio do mercado hoje é que eles não gostam de política social e não gostam que o pobre tenha ascensão. Nós criamos tudo que era possível criar em pouco tempo” – Foto: Ricardo Stuckert/Instituto Lua

Durante entrevista ao site Brasil 247, o ex-presidente Lula fez inúmeras análises a respeito de seu futuro e sobre o papel do Supremo Tribunal Federal (STF) no seu processo. Em seu Twitter, algumas frases foram reproduzidas: “Eu não indiquei nenhum ministro na perspectiva de que eles fossem se comportar como meus amigos. Nunca pedi favor a nenhum deles. Não é possível que um ministro da Suprema Corte vote em função de pesquisas de opinião pública”.

Em relação ao resultado final de seu julgamento, afirmou: “O que eu peço é prova. Eles não podem continuar mentindo a vida inteira. O país não suporta mais tanta mentira. Acho que a ministra Cármen Lúcia irá se deixar permear não só pela sua consciência, mas também pelo papel da Suprema Corte. Estou tranquilo. Acho que a decisão vai fazer justiça nesse país. Sou um cidadão otimista. Acredito que vá acontecer justiça com o meu processo”.

E prosseguiu: “Todos eles sabem que o apartamento não é meu, que não comprei. Estou sendo condenado por uma coisa que não sou dono. Sou de uma região que a gente nasce pobre, mas nasce com honra. Quem mentiu ao meu respeito tem que pagar e pedir desculpas”, acrescentou.

Outras ponderações de Lula: “Acho que muitas pessoas no Brasil não aprenderam a conviver com o sucesso do meu governo. Fiz 74 conferências nacionais pra definir políticas públicas que iríamos colocar em prática. Embora a gente não tenha feito tudo, a verdade é que as pessoas viveram um momento de ouro nesse país.. Por que fizemos 18 universidades novas? Por que fizemos 4 vezes mais escolas técnicas do que toda a elite em 100 anos? Porque a elite brasileira nunca se importou com a ascensão dos trabalhadores desse país”.

“A minha força vem de duas mulheres: minha mãe e da Marisa. Minha mãe saiu de casa com oito filhos e tinha uma autoestima que passou pra mim. E a Marisa, cada vez que eu perdia uma luta, ela me incentivava a continuar. Daí é que vem a minha tranquilidade. Precisamos trabalhar a politização para as pessoas votarem melhor. É preciso que a gente faça um estudo da vida da pessoa e de sua atuação política antes de votar”.

“A única explicação que eu entendo sobre o ódio do mercado hoje é que eles não gostam de política social e não gostam que o pobre tenha ascensão. Nós criamos tudo que era possível criar em pouco tempo. Nossa primeira briga foi com a Alca e destruímos a Alca na frente do Bush. Depois criamos a Unasul. Os americanos não aceitam a ideia de que o Brasil tenha virado protagonista internacional. O Brasil tem um problema mais grave que o governo Trump, que é o complexo de vira-lata da elite brasileira. O Brasil não tem que pedir favor aos americanos para fazer, o Brasil vai lá e faz. Temos um potencial extraordinário”.

Ele espera que, em algum momento, o Supremo julgue o mérito do processo do triplex no Guarujá.  “Fui vítima de uma manchete da Globo”. Sobre o procurador Deltan Dallagnol, coordenador da Lava Jato, o ex-presidente disse que “a acusação teve como base a convicção de um menino, que ficou uma hora falando de um power point”.

Questionado sobre mobilização da população e da militância, Lula disse que não irá convocar as pessoas para ir às ruas e afirmou estar “tranquilo, com a tranquilidade dos inocentes”.

Sobre o fato de a ministra Cármen Lúcia, presidente do STF, não colocar em votação a questão da segunda instância, Lula comentou: “quem diz que o PT faz pressão e que os blogs fazem pressão é quem faz pressão”.

Questionado sobre a regulação da mídia, que não foi feita durante seu governo nem do governo Dilma Rousseff, o ex-presidente destacou essa necessidade: “Eu não quero um meio de comunicação censurado. Quem faz censura na televisão é o espectador, o ouvinte na rádio e o leitor no jornal. O que eu quero é criar condições para que mais gente tenha acesso a esses espaços e que os recursos cheguem a todos os veículos de forma mais democrática. Eu não acho certo, por exemplo, o monopólio da Globo sobre o futebol. Nós precisamos eleger um Congresso Nacional para ter condições de fazer a regulação da mídia. Porque se você eleger dono de rádio e de televisão, não vai fazer”.

Sobre seu desejo de voltar à presidência: “Eu imaginava que o câncer ia me calar. Mas Deus quis que a minha voz voltasse, um pouco mais rouca, mas com a mesma força. Não vão me calar, só o povo ou Deus. Eu sei o que o povo gosta, o que o povo quer”.

Acompanhe a íntegra da entrevista de Lula à TV 247:


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