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12 de julho de 2019, 20h01

Advogado de Lula afirma que Lava Jato espionava suas conversas em tempo real

Cristiano Zanin acusa o ex-juiz Sérgio Moro, procuradores do MPF-PR e membros da PF de estarem por trás das escutas, e considera que esta é mais uma das irregularidades que podem levar a que "todos os atos sejam anulados, e o processo deve ser reiniciado na presidência de um juiz imparcial independente"

Foto: Ricardo Stuckert

O advogado Cristiano Zanin, que integra a equipe de defesa do ex-presindente Luiz Inácio Lula da Silva, contou em entrevista para o El País, que o seu escritório chegou a ser grampeado por figuras ligadas à Operação Lava Jato, que teriam acompanhado seus trabalhos em tempo real, durante 25 dias. “É uma violência ao direito de defesa, diz.

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Segundo Zanin, “houve também interceptações no nosso escritório para acompanhar a estratégia de defesa. Ou seja, houve o acompanhamento em tempo real de conversas entre advogados que estavam tratando da defesa do ex-presidente Lula. Não é tão somente o fato de ter ocorrido uma interceptação, mas sim uma interceptação que foi acompanhada em tempo real, por 25 dias, quando policiais, procuradores e o juiz Moro sabiam de tudo o que era conversado pelos advogados e possivelmente tomavam medidas para inviabilizar a estratégia da defesa”.

Na declaração, o advogado se refere a membros do Ministério Público Federal do Paraná (MPF-PR) e da Polícia Federal (PF), ligados à Operação Lava Jato, que estariam por trás das escutas em seu escritório e de outros defensores que formam a equipe de Lula.

Anulação

A acusação é mais uma das irregularidades que Zanin aponta com respeito à atuação do ex-juiz Sérgio Moro, pelas quais ele pede a anulação de todo o processo. Para o advogado, “uma vez reconhecida a suspeição, todos os atos são anulados e o processo deve ser reiniciado na presidência de um juiz imparcial independente. Esse é um direito que vale para qualquer cidadão, mas que para o ex-presidente não valeu”.

Na entrevista ao El País, Zanin também conta que Lula está mais confiante em sua liberdade, após o início da série de reportagens da Vaza Jato. “Temos a verdade nua e crua aparecendo e confirmando aquilo que ele disse ao longo do processo e que nós como advogados também dissemos”, afirma. O ex-presidente Lula está preso em Curitiba há mais de 15 meses, e conta com pedido de suspeição do ex-juiz Sérgio Moro pendente de avaliação, programada para meados do segundo semestre de 2019.


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