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14 de outubro de 2019, 17h30

Defesa de Lula pede ao TRF-4 que analise mensagens divulgadas pela Vaza Jato

Advogados do ex-presidente querem que o tribunal inclua, no processo do sítio de Atibaia, análise do material que revelou que procuradores quiseram criar “distração” com a denúncia de Lula para abafar escândalo contra Janot

Foto: Reprodução/Carta Capital

A defesa de Lula ingressou com embargos de declaração no Tribunal Regional Federal da Quarta Região (TRF-4), solicitando que a Corte inclua, nos processos contra o ex-presidente, perícia e análise das mensagens divulgadas pelo The Intercept Brasil, que apontam irregularidades cometidas pelos promotores da Lava Jato e pelo juiz Sérgio Moro.

A petição traz as mensagens reveladas nesta segunda-feira (14) pelo site The Intercept, que apontaram que os procuradores calcularam a data da divulgação da denúncia contra Lula no sítio de Atibaia para terem o máximo de exposição de mídia e tirarem atenção dos questionamentos ao procurador Rodrigo Janot, pelo acordo da Procuradoria-Geral da República (PGR) com a empresa JBS.

O objetivo era distrair a população e a imprensa das críticas que atingiam a PGR. À época, a equipe de Janot estava sob bombardeio, por causa de um áudio vazado da colaboração premiada dos executivos do conglomerado JBS, que atingia em cheio Michel Temer.

Suspeitas

Havia suspeitas de que o material tinha sido editado. Meses depois, problemas mais graves – como o jogo duplo do procurador Marcelo Miller, que recebeu R$ 700 mil para orientar a JBS – levaram o próprio Janot a pedir que o acordo fosse rescindido.

A denúncia do sítio já estava pronta para ser apresentada em 17 de maio de 2017, dia em que o jornal O Globo publicou reportagem acusando Temer de dar aval a Joesley para a compra do silêncio do ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha, do MDB. Diante da notícia, que caiu como uma bomba em Brasília, o coordenador das investigações no Paraná, Deltan Dallagnol, decidiu adiar o oferecimento e a divulgação da acusação contra Lula, inicialmente programadas para o dia seguinte.

O então procurador Carlos Fernando dos Santos Lima, à época o decano da Lava Jato em Curitiba, escreveu aos colegas que a acusação que atribui a Lula a propriedade de um sítio em Atibaia poderia “criar distração” sobre a possível edição da conversa gravada entre o ex-presidente Michel Temer e o empresário Joesley Batista, dono da JBS.

Mais tarde, de acordo com o The Intercept, o diálogo seria um dos pilares da primeira denúncia que a PGR fez contra Temer, mas o que dominava o debate público até então eram suspeitas sobre a integridade da gravação.


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