sexta-feira, 25 set 2020
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Haddad defende suspeição de Moro como essencial para garantir direitos políticos de Lula

Ex-candidato à presidência da República em 2018, Fernando Haddad (PT) disse em entrevista que aposta no julgamento da suspeição do ex-juiz Sergio Moro para garantir a anulação da condenação do ex-presidente Lula da Silva, preso em abril de 2018. Haddad também acredita que esse julgamento tem mais relevância do que a decisão sobre prisão em segunda instância, que será votada nesta quarta-feira (23) no Supremo Tribunal Federal (STF).

“Gostaria de ver Lula livre e com seus direitos políticos assegurados. É o que todos nós desejamos”, disse. O ex-prefeito de São Paulo também comentou que, como cidadão, quer ver Lula disputar novamente a corrida ao Palácio do Planalto.

Em entrevista aos jornalistas Thais Arbex, da Folha, e Guilherme Mazieiro, do UOL, Haddad disse que faz parte de um time e que não importa se, em 2022, será “técnico, zagueiro ou artilheiro”. O importante, de acordo com ele, é o time ganhar. “Se vou ser o artilheiro, o zagueiro, o capitão do time, o técnico, vamos ver, mas pertenço a um time que quer mudar o Brasil para melhor”, comentou.

Ao sinalizar uma possível candidatura de Lula em 2022, Fernando Haddad provocou os concorrentes e disse que não será fácil para Ciro Gomes (PDT) e João Doria (PSDB), pois os dois políticos não têm representatividade. “Na esquerda, o Ciro, e, na direita, o Doria. Pelas mesmas razões, razões muito parecidas. Uma dificuldade muito grande de se descolar daquilo que ajudaram a construir. Você não consegue ter identidade. As pessoas começam a não ter segurança no que você, de fato, representa. Acho que isso está acontecendo com os dois”, disse.

Para Haddad, o governo de Jair Bolsonaro (PSL) é uma “confusão generalizada”, composto por um “quarteto fantástico fundamentalista” que quer formar um estado teocrático no Brasil: os ministros Damares Alves, Abraham Weintraub, Ernesto Araújo e Ricardo Salles.

Segunda instância

O STF retoma nesta quarta-feira (23) o julgamento da constitucionalidade da prisão após condenação em segunda instância. Caso siga os preceitos da Constituição, defendidos pelo relator das ações sobre o tema, ministro Marco Aurélio, a votação deverá favorecer o ex-presidente Lula da Silva e colocá-lo em liberdade.

Marco Aurélio defende a tese de que a Constituição exige que se esgotem todos os recursos antes da execução da pena de um condenado. Ou seja, entende que é preciso esperar o trânsito em julgado para condenar um réu. Portanto, o ministro já indicou que votará por declarar constitucional o artigo 283 do Código de Processo Penal (CPP), segundo o qual ninguém pode ser preso exceto em flagrante ou se houver “sentença condenatória transitada em julgado”.

Redação
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