Ouça o Fórumcast, o podcast da Fórum
23 de outubro de 2019, 07h42

Haddad defende suspeição de Moro como essencial para garantir direitos políticos de Lula

O ex-prefeito de SP também acredita que esse julgamento tem mais relevância do que a decisão sobre prisão em segunda instância

Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Ex-candidato à presidência da República em 2018, Fernando Haddad (PT) disse em entrevista que aposta no julgamento da suspeição do ex-juiz Sergio Moro para garantir a anulação da condenação do ex-presidente Lula da Silva, preso em abril de 2018. Haddad também acredita que esse julgamento tem mais relevância do que a decisão sobre prisão em segunda instância, que será votada nesta quarta-feira (23) no Supremo Tribunal Federal (STF).

“Gostaria de ver Lula livre e com seus direitos políticos assegurados. É o que todos nós desejamos”, disse. O ex-prefeito de São Paulo também comentou que, como cidadão, quer ver Lula disputar novamente a corrida ao Palácio do Planalto.

Em entrevista aos jornalistas Thais Arbex, da Folha, e Guilherme Mazieiro, do UOL, Haddad disse que faz parte de um time e que não importa se, em 2022, será “técnico, zagueiro ou artilheiro”. O importante, de acordo com ele, é o time ganhar. “Se vou ser o artilheiro, o zagueiro, o capitão do time, o técnico, vamos ver, mas pertenço a um time que quer mudar o Brasil para melhor”, comentou.

Ao sinalizar uma possível candidatura de Lula em 2022, Fernando Haddad provocou os concorrentes e disse que não será fácil para Ciro Gomes (PDT) e João Doria (PSDB), pois os dois políticos não têm representatividade. “Na esquerda, o Ciro, e, na direita, o Doria. Pelas mesmas razões, razões muito parecidas. Uma dificuldade muito grande de se descolar daquilo que ajudaram a construir. Você não consegue ter identidade. As pessoas começam a não ter segurança no que você, de fato, representa. Acho que isso está acontecendo com os dois”, disse.

Para Haddad, o governo de Jair Bolsonaro (PSL) é uma “confusão generalizada”, composto por um “quarteto fantástico fundamentalista” que quer formar um estado teocrático no Brasil: os ministros Damares Alves, Abraham Weintraub, Ernesto Araújo e Ricardo Salles.

Segunda instância

O STF retoma nesta quarta-feira (23) o julgamento da constitucionalidade da prisão após condenação em segunda instância. Caso siga os preceitos da Constituição, defendidos pelo relator das ações sobre o tema, ministro Marco Aurélio, a votação deverá favorecer o ex-presidente Lula da Silva e colocá-lo em liberdade.

Marco Aurélio defende a tese de que a Constituição exige que se esgotem todos os recursos antes da execução da pena de um condenado. Ou seja, entende que é preciso esperar o trânsito em julgado para condenar um réu. Portanto, o ministro já indicou que votará por declarar constitucional o artigo 283 do Código de Processo Penal (CPP), segundo o qual ninguém pode ser preso exceto em flagrante ou se houver “sentença condenatória transitada em julgado”.


Quantas matérias por dia você lê da Fórum?

Você já pensou nisso? Em quantas vezes por dia você lê conteúdos esclarecedores, sérios, comprometidos com os interesses do povo e a soberania do Brasil e que têm a assinatura da Fórum? Pois então, que tal fazer parte do grupo que apoia este projeto? Que tal contribuir pra que ele fique cada vez maior. Bora lá. Apoie já.

Apoie a Fórum