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27 de agosto de 2019, 18h33

Lula, após nova Vaza Jato: “Foi como se tivesse vivido outra vez aqueles momentos de dor”

Em nota enviada da prisão, ex-presidente relatou que recebeu com "repulsa" as novas revelações da Vaza Jato, que mostram procuradores ironizando as mortes de seus parentes, e confessou que esse foi um dos dias mais tristes para ele desde que está preso; "Peço a Deus que ilumine essa gente, que poupe suas almas de tanto ódio". Leia

O ex-presidente no velório de Marisa Letícia (Foto: Ricardo Stuckert)

Da prisão em Curitiba, o ex-presidente Lula escreveu uma nota nesta terça-feira (27), divulgada em seu site, em que comenta as conversas reveladas mais cedo pela nova reportagem da série Vaza Jato. Os diálogos inéditos mostram que procuradores da Lava Jato ironizaram as mortes da ex-primeira-dama, Marisa Letícia, de seu neto Arthur e de seu irmão Vavá.

“Foi com extrema indignação, com repulsa mesmo, que tomei conhecimento dos diálogos em que procuradores da Lava Jato referem-se de forma debochada e até desumana às perdas de entes queridos que sofri nos anos recentes: minha esposa Marisa, meu irmão Vavá e meu netinho Arthur”, escreveu Lula.

Em um texto carregado de emoção, o ex-presidente confessou que as mensagens reveladas fizeram deste um de seus dias mais tristes no cárcere. “Foi como se tivesse vivido outra vez aqueles momentos de dor, só que misturados a um sentimento de vergonha pelo comportamento baixo a que algumas pessoas podem chegar”, relatou.

Na nota, Lula diz ainda que, apesar de ter ciência de que foi condenado por objetivos políticos, não imaginava que os procuradores carregavam consigo tanto ódio.  “Será que eles se consideram tão superiores que podem se colocar acima da humanidade, como se colocam acima da lei?”, questionou o ex-presidente, que finalizou o texto pedindo para Deus “ilumine essa gente”.

Leia a íntegra.

“Foi com extrema indignação, com repulsa mesmo, que tomei conhecimento dos diálogos em que procuradores da Lava Jato referem-se de forma debochada e até desumana às perdas de entes queridos que sofri nos anos recentes: minha esposa Marisa, meu irmão Vavá e meu netinho Arthur.

Confesso que foi um dos mais tristes momentos que passei nessa prisão em que me colocaram injustamente. Foi como se tivesse vivido outra vez aqueles momentos de dor, só que misturados a um sentimento de vergonha pelo comportamento baixo a que algumas pessoas podem chegar.

Há muito tempo venho dizendo que fui condenado por causa do governo que fiz e não por ter cometido um crime sequer. Tenho claro que Moro, Deltan e os procuradores agiram com objetivo político, pois me condenaram sem culpa e sem prova, sabendo que eu era inocente.

Mas não imaginava que o ódio que nutriam contra mim, contra o meu partido e meus companheiros, chegasse a esse ponto: tratar seres humanos com tanto desprezo, como se não tivessem direito, no mínimo, ao respeito na hora da morte. Será que eles se consideram tão superiores que podem se colocar acima da humanidade, como se colocam acima da lei?

Peço a Deus que ilumine essa gente, que poupe suas almas de tanto ódio, rancor e soberba. Quanto aos crimes que cometeram contra minha família e contra o povo brasileiro, tenho fé que, deles, um dia a Justiça cuidará.

Luiz Inácio Lula da Silva”

 


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