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05 de junho de 2019, 16h02

Lula sobre parecer do MPF: Não alimento expectativa para não ter frustração

Em entrevista ao DCM e ao Tutaméia, ex-presidente afirmou ser contrário ao impeachment de Bolsonaro: “Foi eleito pelas regras do jogo que o PT aceitou”

Foto: DCM

Lula concedeu mais uma entrevista na manhã desta quarta-feira (5), na sede da superintendência da Polícia Federal em Curitiba. Desta vez para os sites Diário do Centro do Mundo (DCM) e Tutaméia.

Questionado sobre como avalia o parecer do Ministério Público Federal, que decidiu, nesta terça-feira (4), que ele já tem direito à progressão de regime, o que o levaria para o semiaberto, Lula não quis se iludir.

“Eu não sei (se vou sair). Deixa eu contar uma coisa para vocês. Eu não gosto de alimentar expectativa. Não tem nada pior para um preso do que expectativa frustrada. Quando você está livre, você marca o encontro com uma namorada ou namorado, e ele não comparece, você fica fulo da vida, vai num bar, toma uma cachaça ou um uísque e você fica normal. Mas, quando você está preso e tem uma expectativa e ela não acontece…”, respondeu.

O ex-presidente aproveitou o assunto para ratificar que não aceitaria usar tornozeleira eletrônica. “Tornozeleira é para bandido ou pombo correio”.

Impeachment

 Em relação à possibilidade do impeachment de Jair Bolsonaro, Lula se disse contrário à tese, embora classifique o governo dele como um desastre.

“O governo é essa desgraceira que é, mas não adianta a gente ficar se lamentando. A gente tem que brigar, brigar no Congresso Nacional, brigar no movimento sindical, brigar nas universidades. O que estão fazendo nas universidades é simplesmente jogar fora tudo que nós construímos, tudo. E foi muita coisa que nós construímos”, disse.

Em relação especificamente ao impeachment, Lula disse que o PT não pode fazer com Bolsonaro o que Aécio fez com Dilma Rousseff. Se houver crime de responsabilidade, que se investigue e depois disso, aí sim, se proponha o impeachment.

O ex-presidente lembrou que Bolsonaro “foi eleito pelas regras do jogo que o PT aceitou”.

Lula afirmou que o PT deve transformar o programa apresentado por Fernando Haddad nas eleições de 2018 em projetos de lei, para indicar o caminho para a retomada do crescimento. Defendeu, ainda, o fortalecimento das campanhas de rua e o apoio à greve geral do dia 14.

Namorada

 O ex-presidente mencionou que sua namorada é Rosângela Silva, a Janja, e que, inclusive, usa aliança de compromisso na mão direita. No entanto, enfatizou que não deseja ninguém sofrendo por estar com ele, lembrando o que ocorreu com seus filhos, alvos de campanha de difamação.

“A pessoa que eu escolhi tem que saber que eu não troco esse compromisso que eu tenho com o povo por nada, sobretudo esse povo que está aí (vigília) há um ano e dois meses, todo santo dia, com frio ou com calor. Sinceramente, eu não mereço isso”, destacou.

STF

 O ex-presidente também abordou o pacto entre os poderes da República, articulado por Bolsonaro. Sem mencionar nome, criticou Dias Toffoli, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF).

“Quando você faz uma reunião e aparece o presidente da Suprema Corte e a informação que a gente recebe é pacto é por conta das reformas, não é crível, não é crível, como falariam alguns amigos porque, se alguém da sociedade brasileira quiser entrar com um recurso contra a reforma, vai entrar na Suprema Corte. E como é que pode? Um cara que é presidente vai se sentir impedido ou não? Ele vai poder votar ou não? Então, as pessoas precisam se preservar”.


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