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13 de outubro de 2018, 16h25

Manipulações divulgadas no Whatsapp levam a ‘hackeamento da democracia’

Falseamento de informações difundidas em redes "coloca em perigo e em suspeita a própria democracia com todos os fundamentos que sempre a ampararam", diz Guilherme Wisnik, professor da FEA-USP

Por RBA 

infiltração do Whatsapp na vida da maior parte da população e a possibilidade de se saber, por meio do comportamento de usuários de redes sociais, os sentimentos que podem influenciar suas decisões trazem inúmeras possibilidades de manipulação da escolha política de milhões de pessoas no Brasil. Para o professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP Miguel Wisnik, trata-se de um método mais eficiente de influenciar as pessoas do que era feito até então pela mídia tradicional.

“As novas tecnologias mudaram o cenário do jogo. A grande imprensa, se quisesse manipular a informação, faria isso às vistas de todo mundo, teatralizando coletivamente a sua posição e sofrendo as consequências da avaliação pública disso. O Whatsapp é absolutamente capilar e permite mensagens em segredo, que chegam quase personalizadamente sem essa avaliação pública, e muito rápido”, avalia o professor, em sua participação na coluna Espaço em Obra, na Rádio USP.

Para ilustrar tal poder, Wisniki cita o caso da empresa Cambridge Anatlytica, que teve participação decisiva na eleição de Donald Trump nos Estados Unidos e na votação do Brexit, no Reino Unido. “Atuou de maneira a filtrar dados das pessoas por meio de seu comportamento em redes sociais, permitindo que esses dados gerassem grandes quantidades de mensagens por Whatsapp, que chegam a pessoas com a predisposição do tipo de sentimento que as afetará para tomar decisões”, explica.

“No caso agora do Brasil, com crise econômica, social e das instituições, é um contexto onde frutifica, nasce o fascismo. Através dessa realidade de manipulação insidiosa você consegue atingir de forma muito eficaz”, analisa Wisnik, mencionando casos de “viradas” de última hora no processo eleitoral brasileiro. “Nem vou citar o caso mais evidente, do próprio Bolsonaro, mas os candidatos a governador no Rio de Janeiro e em Minas Gerais, no Senado em São Paulo com Major Olímpio (PSL), chegaram como um fenômeno meteórico, de uma hora pra outra. São situações que desafiam qualquer lógica de previsão, de boca de urna do Ibope ou Datafolha, pois se fazem do nada. Isso é produto desse tipo de campanha.”

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