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08 de março de 2018, 15h20

Manuela D’Ávila: “O feminismo é o contrário da solidão porque ele nos une”

Deputada estadual e presidenciável pelo PCdoB posta mensagem em sua página no Facebook: “Não estamos sozinhas na opressão. Não precisamos estar sozinhas no enfrentamento radical ao machismo”

“O feminismo nos faz ver que todas somos submetidas ao machismo e que apenas juntas teremos forças para enfrentá-lo”, avalia Manuela D’Ávila – Foto: Richard Silva/PCdoB na Câmara

Manuela D’Ávila (PCdoB), deputada estadual pelo Rio Grande do Sul e candidata à presidência da República, postou uma mensagem em sua página no Facebook uma mensagem em homenagem ao Dia Internacional da Mulher. Acompanhe:

Eu não era feminista

Eu acreditava que isso era assunto do passado, da geração de minha mãe, que largou a faculdade para casar, que “desquitou” para voltar a estudar, que aguentou dedos na cara e o desemprego e desamparo por criar sozinha as filhas.

Eu já era militante, sou militante desde os 17, eu já acreditava que o mundo era desigual, que precisávamos lutar por justiça social e, mesmo assim, eu não era feminista.

Mas a vida – e suas permanentes portas abertas a quem aceita mudar e se mudar – fez com que eu percebesse que a desigualdade econômica e social no Brasil atinge de forma muito mais cruel às mulheres.

A vida fez com eu tomasse consciência que aquilo que eu e outras mulheres vivemos não era algo que acontecia com uma de nós, mas com todas nós. Tomei consciência que não era só comigo. Não era só com ela, mas que é com todas.

Uma de nós ser assediada a cada dois segundos, tem nome. Sermos responsabilizadas pela violência que sofremos, tem nome. Receber menos salário pelo mesmo trabalho, tem nome.
Estabelecerem padrões físicos doloridos e inalcançáveis para nós, tem nome. Sofrer violência física, ser assassinada e ouvir que o amor pode matar, tem nome. Parir e ficar desempregada, tem nome. Ser invisível na política, tem nome.

A ideia que somos inferiores, menos livres, menos donas de nossos corpos e mentes, menos merecedoras de direitos tem nome. O nome disso é machismo.

E o feminismo não é o contrário do machismo e sua compreensão que as mulheres são inferiores. Nossa radicalidade está justo em lutar pela equidade, pelos direitos iguais, pelo nosso direito à vida sem violência, pelo direito a sermos donas de nossos corpos e mentes.

Somos radicais que acreditamos ser iguais aos homens.

Por isso, me emocionei muito ao me deparar com essa frase no livro novo de Márcia Tiburi. Porque o feminismo é o contrário da solidão. Porque quando tomamos consciência que o assédio acontece a todas, percebemos que não estamos sozinhas. Quando percebemos que o medo do desemprego ao engravidar e o desemprego com filhos acontece com todas, não estamos sozinhas. Quando percebemos que o medo de estar na rua não é só nosso, não estamos sozinhas. Quando pensamos que milhares de mulheres têm medo de ficar na própria casa porque é ali que a violência acontece, não estamos sozinhas. Quando recebemos o salário inferior, não estamos sozinhas. Quando percebemos que esse personagem de super heroína “mãe, dona de casa, que trabalha fora e da conta de tudo” é uma forma de deixar bonita a nossa jornada tripla de trabalho, não estamos sozinhas.

Não estamos sozinhas na opressão, na vivência cotidiana do machismo. Não precisamos estar sozinhas no enfrentamento radical a ele.

O feminismo nos faz ver que todas somos submetidas ao machismo e que apenas juntas teremos forças para enfrentá-lo.

O feminismo é o contrário da solidão porque ele nos une, une nossa rebeldia contra as injustiças, nos faz solidárias umas com as outras, nos faz irmãs na luta por nossos direitos e pelos direitos de nossas irmãs.

Não estamos sozinhas. Somos muitas.

Rebele-se contra o machismo!


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