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03 de fevereiro de 2020, 09h32

Marcio Pochmann: Neofascismo de Bolsonaro e Guedes não é inédito no Brasil

O economista e professor da Unicamp explica as principais estratégias da lógica capitalista brasileira que ajudam a entender o governo de Jair Bolsonaro

Márcio Pochmann (Foto: Agência Brasil)

Em entrevista à Revista Fórum nesta segunda-feira (3), o economista, pesquisador e professor da Unicamp, Marcio Pochmann, fez um resgate das raízes liberais e neoliberais da história do capitalismo brasileiro para explicar a política econômica defendida pelo governo de Jair Bolsonaro. Com isso, Pochmann afirma que o fascismo em ascensão não é algo inédito no país.

“O que estamos vendo aqui é uma espécie de neofascismo, não é inédito, já tivemos em outros momentos na história do Brasil”, afirmou o economista. Ele explica que são duas as estratégias principais que conduzem a lógica capitalista do país e que também estão presentes no governo Bolsonaro.

Para Pochmann, em primeiro plano, há a articulação de interesses particulares da burguesia nacional com a burguesia externa. “A estratégia que espelha o que vivemos na segunda metade dessa década é uma que se alia ao liberalismo do passado e também ao neoliberalismo. É uma articulação que se dá a partir da burguesia interna, os interesses mais patrimonialistas e rentistas, com interesses do capitalismo e da burguesia externa”, afirma.

O pesquisador alega que a política econômica de Bolsonaro e Paulo Guedes, ministro da Economia, também tem referência no que foi feito durante o governo de Getúlio Vargas, assim como no de Ernesto Geisel, durante a ditadura.  “Outra estratégia, que buscava instaurar um projeto de desenvolvimento soberano, é a que se associa a perspectiva varguista”, diz.

Pochmann então sustenta que os governos petistas foram responsáveis por construir um projeto econômico diferente da perspectiva neoliberal, mas que tal projeto foi interrompido com o golpe da ex-presidenta Dilma Rousseff, em 2016.

“Buscaram expandir a economia brasileira com articulação Sul-Sul, e certamente no abrigo da construção do Brics. Esse projeto à margem da economia neoliberal vigente foi de certa maneira rompido no golpe de 2016 e com os dois governos que se sucederam, de Temer e Bolsonaro”, continuou.

Além de resgatar o neoliberalismo dos anos 90, durante o governo de Fernando Collor, Bolsonaro também sustenta perspectivas integralistas da 1930. “Era aqui no Brasil que se concentrava o maior grupo nazista depois da Alemanha”, afirmou o professor.

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