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27 de setembro de 2019, 13h03

Maria da Conceição Tavares define governo Bolsonaro como disparatado e defende pacto

Aos 89 anos, economista acredita que a privatização, com restrições, como a Petrobras, pode contribuir para um pacto com vistas ao futuro do país

Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

A economista Maria da Conceição Tavares, hoje com 89 anos, define o governo de Jair Bolsonaro como disparatado e só vê no ministro da Economia, Paulo Guedes, ambição de poder. Para isso, o compara a outros economistas.

“Duvido que qualquer um (Otávio Gouveia de Bulhões, Mário Henrique Simonsen e Roberto Campos, ministros em governos militares) incorresse nos desatinos cometidos pelos rapazes do governo, todos pseudogestores públicos”, declarou, em entrevista à Maria Cristina Fernandes, jornalista do Valor.

Maria da Conceição, que desembarcou no Brasil em 1954, vinda de Portugal, tem uma opinião clara sobre o país atual. “O Brasil é um cachorro correndo atrás do próprio rabo. Como é o Estado quem convida a iniciativa privada a aportar recursos na atividade produtiva, e não há Estado sob um ajuste fiscal generalizado, o bicho vai correr até a exaustão”.

E é justamente para combater o perigo de conturbação social, que ela sugere um pacto para investir recursos de privatizações.

“A proposta não é de virar de ponta cabeça a estratégia do ajuste fiscal. Infelizmente não dá. O realismo é essencial. O governo não é nosso”, diz.

Para a concretização desse pacto, a economista não vê outra saída a não ser considerar as privatizações. Não como o governo Bolsonaro pretende, pois ela não defende a venda de todas as estatais, nem a qualquer preço ou propósito.

Ela exclui, por exemplo, a Petrobras, estratégica pela dependência do transporte rodoviário, mas sinaliza para que a venda de algumas estatais, a securitização de imóveis e terrenos e a comercialização de ativos públicos tenham 50% de seu valor revertido para investimentos.

MDB e PT

Maria da Conceição tem uma longa trajetória na vida pública brasileira. Em 1994, trocou o MDB pelo PT. No primeiro, defendeu o Plano Cruzado e foi conselheira econômica do deputado Ulysses Guimarães.

Pelo PT, foi eleita ao primeiro e único mandato de deputada federal, numa campanha financiada com a venda do livro “Lições Contemporâneas de uma Economista Popular” (Francisco Neiva, 1994), reunião de crônicas publicadas na Folha de S. Paulo, onde foi colunista por 11 anos. A oposição às privatizações marcou seu mandato.

Esquerda

A economista cobra a esquerda. Com a prisão do ex-presidente Lula, ela não enxerga viabilidade numa esquerda que perdeu substância. Por isso, acredita que a saída se passa pelo centro, visando o pacto que defende.

 


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