Mensagens de WhatsApp revelam estremecimento entre Rodrigo Pacheco e Flávio Bolsonaro; leia na íntegra aqui

O filho de Bolsonaro ainda deu show à parte para tentar evitar a CPI. De uma hora pra outra, o senador se tornou adepto do isolamento social para proteger seus pares

A relação entre o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), eleito para a mesa com o apoio da família Bolsonaro, e o governo se deteriora rapidamente.

De acordo com informações do blog de Gerson Camarotti, o senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), enviou mensagens para Pacheco no grupo que senadores mantêm nas redes sociais. Nelas, o filho de Bolsonaro cobrava Pacheco por ter desconsiderado decisão de um juiz federal de Brasília, portanto de primeira instância, para suspender a indicação de Renan Calheiros (MDB-AL) para a relatoria da CPI.

A decisão foi derrubada logo depois pelo Tribunal Regional Federal da Primeira Região (TRF-1), com sede na capital.

O filho do presidente Jair Bolsonaro (Sem Partido) queria saber por que Pacheco não agiu da mesma forma que agiu quando o ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a instalação da CPI.

Para Flávio, o STF “estuprou a instituição Senado Federal”. Rodrigo Pacheco, então, respondeu que a decisão judicial sobre Renan era “inexequível”, já que cabe ao presidente da CPI indicar o relator.

Pacheco respondeu que, apesar de discordar do mérito, a determinação “se impunha”, por reconhecer direito “líquido e certo da minoria do Senado para instalar a CPI, invocando precedentes no mesmo sentido”.

Rodrigo Pacheco disse ainda que “são situações absolutamente distintas e que não revelam incoerência da presidência do Senado”.

A pendenga se tornou pública nesta terça-feira, quando Flávio afirmou considerar, antes da instalação da CPI, que houve ingratidão por parte de Pacheco:

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“Eu tenho um CPF, e o presidente da República tem outro. Da minha parte, entendo, sim, que houve uma ingratidão, uma falta de consideração por parte do presidente [do Senado, Rodrigo Pacheco], de pelo menos nos buscar para que nós pudéssemos dar o nosso ponto de vista sobre a conveniência e a oportunidade de se instalar uma CPI como essa”, disse.

Flávio Bolsonaro, temendo a iminente investigação sobre as omissões do governo Bolsonaro durante a pandemia do coronavírus, na CPI do Genocídio, se tornou adepto do isolamento social.

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Durante pronunciamento na sessão de instalação da comissão, nesta terça-feira (27), o filho do presidente, visivelmente tenso e usando máscara, o que quase nunca acontece, argumentou que existe perigo de os senadores se infectarem pela Covid-1.

Leia a íntegra da troca de mensagens entre Flávio Bolsonaro e Rodrigo Pacheco abaixo:

Flávio Bolsonaro: “Só fica a pergunta: pq o Presidente @RodrigoPacheco não fez o mesmo com decisão do ministro Barroso, que estuprou a instituição Senado Federal?”

Rodrigo Pacheco: “Caro Flávio, A pergunta é pertinente e eu a respondo, até para ciência dos colegas. Por certo, não foi por alinhamento ideológico com quem é a favor ou contra a CPI. Isso não me motivaria. Aliás, sobre a CPI, já manifestei e é conhecida minha posição acerca da inconveniência do momento. O fato é que a decisão do Juiz federal me impõe algo inexequível, pois me exige não submeter o nome do senador Calheiros a uma “eleição” para relator no âmbito de um órgão que terá presidente próprio. Não há meio, forma ou lógica para cumprimento, uma vez que escolha de relator se dá por designação, ato, aliás, interna corporis. A decisão do Ministro Barroso, por sua vez, corroborada pelo pleno do STF, reconhece direito líquido e certo da minoria do Senado para instalar a CPI…”

Flávio Bolsonaro: “Prezado Presidente, a CPI nesse momento é desumana. Espero que após morrer o primeiro Senador, assessor ou funcionário do cafezinho que estiver trabalhando na CPI, o presidente do Senado não seja responsabilizado. Pq o processo, certamente, não será contra o presidente da CPI.”

Rodrigo Pacheco: “Caro Flavio, tenho grande preocupação nesse sentido. Por isso determinei todas as cautelas para garantir a segurança sanitária dos envolvidos. A disciplina dos colegas que participarão da CPI será fundamental. Preservemos a saúde de todos!”

Flávio Bolsonaro: “Desculpe, Presidente. Se estivesse mesmo preocupado faria presencial após todos estarem vacinados, senadores, assessores e funcionários da Casa. Da forma como quer, está assumindo o risco, obviamente. Gostaria de saber, quantas vacinas no braço do povo a CPI trará???????? Vamos investigar sim, após superar à pandemia. O Senado está demonstrando, com essa postura, que vacina ficou em segundo plano, o importante passou a ser atacar o governo federal. Lamentável esse descompromisso com a vida!”

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Julinho Bittencourt

Jornalista, editor de Cultura da Fórum, cantor, compositor e violeiro com vários discos gravados, torcedor do Peixe, autor de peças e trilhas de teatro, ateu e devoto de São Gonçalo - o santo violeiro.