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25 de outubro de 2018, 20h41

“Mesmo se a candidatura progressista ganhar, teremos de lidar com a violência”, diz Rafucko

Na avaliação do ativista LGBT e humorista, “Bolsonaro é perigoso, mas as semelhanças entre o atual momento político brasileiro e os tempos onde Hitler foi alçado ao poder são muito grandes para a gente ignorar”

Foto: Arquivo Pessoal

O ativista LGBT e humorista Rafael Puetter, o Rafucko, divulgou um vídeo em suas redes sociais, no qual compara Jair Bolsonaro a Adolf Hiltler. Rafucko, que está em Berlim, onde faz mestrado em arte e política na Universidade das Artes (UdK), em contato com a Fórum, explica as razões que o levaram a produzir o vídeo e, além disso, faz uma análise do cenário político nacional. Rafucko produz vídeos, performances e instalações de sátira política. Ficou conhecido em 2013, quando cobriu os grandes protestos contra a Copa do Mundo e as Olimpíadas em seu canal do YouTube. Usando de humor, aborda temas como homofobia, violência policial, corrupção e mídia.

Fórum – O que motivou você a publicar o vídeo comparando Bolsonaro e Hitler?
Rafucko –
Existe um conceito chamado “Lei de Godwin”, que diz que, em algum momento, em uma discussão na internet, alguém vai comparar seu opositor a Hitler. Tentei não cair nessa ferramenta para provar que Bolsonaro é perigoso, mas as semelhanças entre o atual momento político brasileiro e os tempos onde Hitler foi alçado ao poder são muito grandes para a gente ignorar. O próprio Mike Godwin (jurista norte-americano) disse em seu twitter que a comparação, neste caso, não é exagerada!

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Tradução do post de Mike Godwin: 

“Parece ser uma comparação pensativa, historicamente desinformada. Não me ocorreu que (Se eu entendi corretamente o português) Hitler nunca tenha abraçado publicamente o uso da tortura do jeito que Bolsonaro fez. #EleNão”.

Fórum – Como você observa o atual cenário político, com Bolsonaro liderando todas as pesquisas?
Rafucko –
Assustador e triste. Mas não me surpreende. Nasci e cresci em meio a pessoas racistas, homofóbicas, preconceituosas, em geral. O brasileiro é muito violento e, no decorrer dos últimos anos, encontrou espaços para vocalizar esse ódio ao próximo.

Fórum – Qual a sua análise das ocorrências frequentes de violência contra opositores de Bolsonaro, contra negros, nordestinos e o segmento LGBT?
Rafucko –
Acredito que o Brasil estava evoluindo nessa questão: a violência sempre existiu, mas era menos socialmente aceita. Creio que não só políticos como Bolsonaro tornam essa violência aceitável, há também a vertente cultural, dos ditos “politicamente incorretos”, como Danilo Gentilli e Rafinha Bastos, que promoveram discursos de ódio nos últimos anos – e lutaram para tornar essa violência verbal uma coisa normal.

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Fórum – Você ainda acredita em uma vitória da candidatura do campo progressista?
Rafucko –
Tenho um fio de esperança, mas estou pessimista (ou realista). Só vamos saber no domingo à noite – e, mesmo se a candidatura progressista ganhar, teremos de lidar com a violência. Eles já sinalizaram que não estão dispostos a aceitar os resultados.

Fórum – Você já fez um exercício mental e uma projeção de como ficaria o Brasil, em caso de vitória de Bolsonaro?
Rafucko –
Espero o pior. Legalização de armas em um país violento como o Brasil vai levar a mais mortes de inocentes. A polícia, que já tem carta branca para matar, vai ser condecorada pelos seus crimes. A Amazônia vai acabar. Por ser financiado pela indústria armamentista, não descarto a possibilidade de iniciar uma guerra. Não há um aspecto positivo que consigo vislumbrar.


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