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11 de setembro de 2018, 20h35

MG: maior bancada ruralista do Congresso tem 26 integrantes tentando reeleição

Integrantes da Frente Parlamentar da Agropecuária e outros fazendeiros tentam vaga, entre eles investigados pela Lava Jato e réus na Justiça, como Aécio Neves; saiba mais

Foto: Ramiro Furquim/Sul21

Por Bruno Stankevicius Bassi, no De Olho Nos Ruralistas

A maior bancada ruralista do Congresso – em números absolutos – pretende reeleger 26 parlamentares signatários da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA). É exatamente com a bancada mineira que o De Olho nos Ruralistas – no mês em que seu site completa dois anos – inaugura sua cobertura eleitoral. O observatório detalhará, nos próximos 20 dias, quem são os candidatos ruralistas à reeleição, com pelo menos um texto por Unidade da Federação.

Na lista desses candidatos mineiros há nove investigados pela Operação Lava Jato. Essa lista não inclui parlamentares que não integram a FPA, como o senador e ex-presidenciável Aécio Neves (PSDB). Ele concorre para conseguir uma vaga na Câmara, sem os riscos de uma eleição ao Senado, para garantir sua imunidade contra denúncias. Uma delas, relativa à construção de um aeroporto, com dinheiro público, em fazenda de sua família.

Há também acusados em outras frentes de investigação, como a deputada Raquel Muniz (PSD), agora dona de um patrimônio de R$ 6,1 milhões – diante dos R$ 717 mil declarados em 2014. Ela ficou famosa na votação pelo impeachment de Dilma Rousseff, ao elogiar a idoneidade de seu marido Ruy Muniz, prefeito de Montes Claros – preso menos de 24 horas depois por improbidade administrativa. Ruy tentou beliscar uma vaga ao Senado pelo PSD, mas não conseguiu.

Entre os mais ativos da bancada ruralista mineira está o deputado federal Newton Cardoso Junior, que tenta o seu segundo mandato. Outra reportagem desta série – que traz pelo menos um texto por Unidade da Federação – mostra que o filho do ex-governador Newton Cardoso está disposto a trabalhar pelos interesses próprios e do agronegócio: “Deputado que exporta eucalipto é quem defende lei para relaxar licenciamento de eucalipto“.

60% da bancada mineira é ruralista

Dos 53 deputados federais eleitos por Minas Gerais em 2014, 32 pertencem à Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA). Em 2010, eram 27. Protagonista da política do “café com leite” na República Velha, o estado lidera o ranking ruralista com boa distância para o segundo colocado, Paraná, com 20 parlamentares na Frente. Braço mais organizado da bancada ruralista, a FPA possui – na última lista disponibilizada no site da instituição – 216 parlamentares.

Nem todo político ruralista faz questão de integrar essa frente. Caso notório: Aécio Neves, dono de 950 hectares em Montezuma, ao norte, uma das cidades mais pobres do estado. As terras estão em nome da Perfil Agropecuária e Florestal Ltda e foram arrematadas pelo pai de Aécio em um processo de usucapião – apesar do tamanho – movido em 2000, quando o filho exercia seu quarto mandato como deputado federal.

Bem mais famosa, a fazenda do senador localizada no município de Cláudio – a “cidade dos apelidos”, no oeste mineiro – recebeu a construção de um aeroporto de R$ 14 milhões, pago com recursos do governo de Minas. A obra foi alvo de inquérito da Polícia Federal e levou à prisão, em 2017, da irmã de Aécio, Andrea Neves da Cunha, e de um primo do senador.

O próprio senador se tornou réu a partir das delações premiadas dos proprietários da JBS, que gravaram o político negociando uma propina de R$ 2 milhões. O teor da conversa com Joesley Batista ficou famoso, no ano passado, diante da necessidade que eles tinham de escolher um emissário: “Tem de ser um que a gente mata ele antes de fazer delação“.

Em agosto, Aécio lançou sua campanha a deputado federal em uma fazenda no município de Teófilo Otoni. O público foi bem mais acanhado do que na sua candidatura à Presidência da República, quatro anos atrás: compareceram 20 eleitores, levados em uma van escolar.

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