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29 de outubro de 2019, 09h36

Milícia virtual e robôs bolsonaristas impulsionam tag #HienasDeToga contra STF e Celso de Mello

A reação no Twitter, como sempre, foi puxada por blogueiros olavistas, que se mostraram indignados e começaram a ironizar a declaração do ministro do STF, que disse que o vídeo representa "a expressão odiosa (e profundamente lamentável) de quem desconhece o dogma da separação de poderes"

O "leão" Bolsonaro contra o STF, no vídeo que foi publicado pelo presidente (Reprodução)

Atiçados pela publicação do vídeo que teria sido feita por Carlos Bolsonaro na página do pai, que mostra Jair Bolsonaro como um leão sendo atacados por diversas hienas, entre elas uma representando o Supremo Tribunal Federal (STF), a milícia virtual do presidente e seus robôs impulsionaram na manhã desta terça-feira (29) a hashtag #HienasDeToga.

A expressão é uma crítica à reação negativa do vídeo – que foi apagado por Bolsonaro – e principalmente à fala do ministro Celso de Mello, decano da corte, que disse que o vídeo representa “a expressão odiosa (e profundamente lamentável) de quem desconhece o dogma da separação de poderes”.

“Esse comportamento revelado no vídeo em questão, além de caracterizar absoluta falta de ‘gravitas’ e de apropriada estatura presidencial, também constitui a expressão odiosa (e profundamente lamentável) de quem desconhece o dogma da separação de poderes e, o que é mais grave, de quem teme um Poder Judiciário independente e consciente de que ninguém, nem mesmo o Presidente da República, está acima da autoridade da Constituição e das leis da República”, disse Mello.

A reação no Twitter, como sempre, foi puxada por blogueiros olavistas, que se mostraram indignados e começaram a ironizar a declaração do ministro.

“Celso de Mello ficou ofendido com o vídeo que @jairbolsonaro postou, onde o STF aparece como uma hiena. Chamar de hiena um tribunal que opera para defender os interesses dos piores bandidos é uma ofensa ao animal”, tuitou o bolsonarista Leandro Ruschel.

Nas publicações, os bolsominions repetem expressões e usam linguagem parecida com a usada pelo líder.

“#HienasDeToga VTNC bando de verme, o povo está COM BOLSONARO”, tuitou Jovande Júnior.

“Esse negócio de #HienasDeToga tá pegando mal, não posto mais #HienasDeToga”, publicou o perfil Jnior18487413, com identificação muito usado para criar robôs.

Veja mais reações

Novo áudio: O que Queiróz quis dizer com Adélio Bispo estar super protegido?

Em novo áudio, Queiroz diz que Adélio Bispo está “hiperprotegido”. O que ele quis dizer com isso?

Nos áudios de Fabrício Queiroz divulgados nos últimos dias, o que parece ser um mero detalhe, que tem sido pouco abordado, pode revelar muito sobre os motivos da divulgação das gravações, quem divulgou e, principalmente, sobre a reação de Jair Bolsonaro, que tratou o ex-assessor do filho como “soldado”, um amigo que mantém relações desde 1985.

“O cara lá (Adélio) tá hiper protegido. Eu não vejo ninguém mover nada para tentar me ajudar aí. Vê, tal. É só porrada cara, o MP está com uma pica do tamanho de um cometa para enterrar na gente e não vem ninguém agindo”, disse Queiroz no último áudio, divulgado domingo (27), se referindo à Adélio Bispo dos Santos, autor da facada em Bolsonaro durante a campanha, segundo informações do jornal O Globo, que diz ter a gravação completa do material.

Ao se queixar da “hiperproteção” dada a Adélio, Queiroz omite quem estaria oferecendo essa segurança ao autor da facada e manda um recado de que a própria segurança dele estaria sendo negligenciando por quem deveria protegê-lo.

Os áudios revelam que bem mais que um ex-assessor de Flávio Bolsonaro responsável pela prática de “rachadinha”, Queiroz atuava – e parece ainda atuar – junto ao amigo Bolsonaro nas nomeações e exonerações dos gabinetes de todo o clã, como sinaliza em uma gravação que seria de março deste ano.

Na época, o Jair falou para mim que ele ia exonerar a Cileide porque a reportagem estava indo direto lá na rua e para não vincular ela ao gabinete. Aí ele falou: ‘Vou ter que exonerar ela assim mesmo’. Ele exonerou e depois não arrumou nada para ela não? Ela continua na casa em Bento Ribeiro?”, diz o ex-assessor no áudio, gravado em março deste ano (ouça aqui).

Avesso à política, como disse em entrevista recente, Bolsonaro ocupou o Congresso por 27 anos fazendo politicagem, fazendo lobby para grupos e movimentos de ódio, além de homenagear e empregar, via indicações de Queiroz, membros das milícias no Rio de Janeiro.

Bolsonaro conhece bem os porões por onde passou e as pessoas que ele representava desde que foi alçado à política. E sabe também que não se deve abandonar soldados feridos no campo de batalha.


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