Milton Ribeiro defende interferência de Bolsonaro nas universidades: “Palavra final é do presidente”

Ministro da Educação afirma que, 'em um futuro próximo', Conselho Nacional de Educação terá ainda mais pessoas com 'visões coerentes com a do presidente'

O ministro da Educação, Milton Ribeiro, afirmou em entrevista ao portal bolsonarista Brasil sem Medo que defende a nomeação de reitores alinhados com o presidente Jair Bolsonaro nas universidades públicas. Tradicionalmente, essas instituições de ensino nomeiam o reitor mais votado da lista tríplice, algo que vem mudando por conta da interferência do presidente.

“Tenho um estilo diferente, mas sei exatamente onde quero chegar”, disse Ribeiro ao ser questionado sobre a proximidade de sua gestão com a do ex-ministro Abraham Weintraub. “Por exemplo, no caso das listas tríplices das universidades, vamos seguir exatamente o que diz a lei: a palavra final é do presidente da República. Se ele escolhe sempre o nome mais alinhado com o governo, é isso que nós vamos defender”, continuou.

Em caso recente, Bolsonaro nomeou o professor Carlos André Bulhões Mendes como reitor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Carlos Bulhões foi o último colocado da lista tríplice em consulta interna da universidade.

“Em termos de princípios e valores, eu sou tão conservador quanto o Abraham Weintraub”, afirmou o ministro. Na entrevista, ele também elogiou as indicações de Weintraub ao Conselho Nacional de Educação (CNE), todos com perfis conservadores, e assegurou que o órgão terá ainda mais pessoas alinhadas com o presidente nos próximos anos.

“Fiz uma análise dos nomes indicados pelo Weintraub, e constatei que são pessoas qualificadas, com uma visão muito próxima à minha. No futuro próximo, teremos dentro do CNE um amálgama de visões educacionais muito coerentes com a visão do presidente Bolsonaro. É o que nós queremos para o MEC”, disse.

Dos 12 novos membros do CNE nomeados por Bolsonaro em julho, sete foram indicados por Weintraub. Nenhum, no entanto, representa o Conselho de Secretários Estaduais de Educação (Consed) ou a União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime).

“Ignorar as indicações das instituições responsáveis pela gestão dos sistemas públicos de educação e desconsiderar as representações de 27 redes estaduais e 5.568 redes municipais vai na contramão da instituição do Sistema Nacional de Educação”, publicaram o Consed e a Undime, em nota conjunta de repúdio.

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Luisa Fragão

Jornalista.

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