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19 de janeiro de 2020, 08h47

Ministério da Educação ignorou estudantes prejudicados por erros no Enem

Citada pelo presidente do Inep,  Alexandre Lopes, como uma das prejudicadas pelo erro na correção, Maria Esthér Sanches, enviou e-mail para a ouvidoria. "Mas tudo que tivemos como resposta é que era por causa da TRI e que não haveria revisão"

O presidente do Inep, Alexandre Lopes, e o ministro Weintraub - Foto: Reprodução

Um grupo de estudantes, prejudicados pelo erro do Ministério da Educação que atingiu ao menos 30 mil alunos no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) em 2019, diz que teve suas reclamações sobre as notas ignoradas pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), responsável pelas provas.

No mesmo dia que saíram os resultados das notas, na sexta-feira (17), ao menos 257 estudantes se manifestaram em grupo de Whatsapp criado por Vítor Brumano, de 19 anos, que mora em Viçosa (MG) e fez a prova na universidade federal da cidade (UFV).

“A princípio, tinha sete pessoas. No fim do dia, já tinha 257, incluindo gente de BH, de Uberlândia, da Bahia”, disse ele, que também foi prejudicado, em entrevista ao jornal O Globo.

Vítor mostrou ao jornal a mensagem eletrônica que recebeu do Inep, após registrar formalmente sua reclamação:

“O edital que regulamenta o exame não prevê a possibilidade de recorrer da nota, pois o desempenho do participante na prova objetiva é calculado com base na TRI, a prova do Enem tem 180 questões objetivas. Portanto, a média não é exatamente proporcional à quantidade de acertos porque as perguntas têm grau de dificuldade diferente”, diz o texto.

Citada nominalmente pelo presidente do Inep,  Alexandre Lopes, como uma das prejudicadas pelo erro na correção, Maria Esthér Sanches, de 18 anos, moradora de Martim Soares (MG), enviou e-mail para a ouvidoria do orgão reclamando da nota.

“Mas tudo que tivemos como resposta é que era por causa da TRI e que não haveria revisão”, diz.

Sisu
Neste sábado (18), o ministro Abraham Weintraub, confirmaram a manutenção do calendário do SiSU (Sistema de Seleção Unificada) que seleciona alunos para as universidades públicas, mesmo após o anúncio dos erros cometidos durante o Enem.

Segundo Weintraub, o governo identificou a falha nas notas a partir de relatos de candidatos nas redes sociais, e espera que o problema possa ser solucionado de forma rápida.

No entanto, a falta de informações mais específicas sobre o tema leva à desconfiança de que o ministro e o MEC não têm a exata dimensão do problema – por exemplo, o número exato de participantes do Enem 2019 com notas alteradas devido ao problema.

“Um grupo muito pequeno de pessoas teve o gabarito trocado quando foi fechado os envelopes (sic). Uma inconsistência fácil de ser consertada. Estamos falando aí de alguma coisa como 0,1% das pessoas que fizeram – dos milhões, 0,1% -, número baixo. Então, para 99% das pessoas está tudo bem”, tentou justificar Weintraub, embora tenha assumido que está deixando 0,9% dos alunos à deriva.

 

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