“Ministério Paralelo” de Bolsonaro tinha Osmar Terra como padrinho e médico que foi contra vacinação em massa

Grupo teve reunião com o presidente em setembro, cerca de um mês depois da primeira oferta da Pfizer

O “Ministério Paralelo” do governo de Jair Bolsonaro, acusado de munir o presidente com orientações negacionistas na pandemia do coronavírus, tinha o deputado Osmar Terra (MDB-RS) como “padrinho”. Em vídeo divulgado pelo jornal Metrópoles, o parlamentar aparece ao lado do presidente em uma reunião que seria do grupo.

O encontro com o presidente ocorreu no dia 8 de setembro em uma sala de reuniões do Planalto, pouco menos de um mês depois da Pfizer fazer a sua primeira oferta de vacinas ao governo brasileiro. No vídeo do encontro, há trechos explícitos do virologista Paolo Zanoto desaconselhando a vacinação contra a Covid-19.

“Não tem condição de qualquer vacina estar realisticamente na fase 3”, diz o médico. “Com todo respeito, eu acho que a gente tem que ter vacina, ou talvez não”, prossegue, sem apresentar nenhuma evidência. Zanoto já afirmou em entrevistas que “não seria uma boa ideia” fazer a vacinação em massa no Brasil.

Na reunião com o presidente, o médico chega a citar que teve contato com o ex-assessor de Bolsonaro, Arthur Weintraub, confirmando que ele era o responsável por intermediar as reuniões do grupo com o Palácio do Planalto. Zanoto diz que encaminhou a Weintraub a sugestão do que ele chama de “shadow board”, um grupo de supostos especialistas em vacinas para aconselhar o governo sobre o tema.

A imunologista Nise Yamaguchi também aparece no vídeo e confirma que Osmar Terra era uma espécie de “cacique” do grupo. “Uma honra trabalhar com o senhor neste período”, afirmou a médica ao deputado. Na CPI da Covid-19, ela negou a existência de um gabinete paralelo.

Confira:

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Luisa Fragão

Jornalista.

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