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21 de julho de 2019, 08h53

#MiriamLeitaoTerroristaSim chega ao topo do Twitter na manhã deste domingo

Bolsonaristas e robôs estão em ação nas redes sociais para reforçar a fake news divulgada pelo presidente e atacar a jornalista da GloboNews

Reprodução

Perfis bolsonaristas e bots – perfis falsos controlados por robôs – entraram em ação na madrugada deste domingo (21) para reforçar a fake news difundida pelo presidente Jair Bolsonaro e atacar a jornalista Miriam Leitão, da GloboNews. A hashtag #MiriamLeitaoTerroristaSim chegou aos Trending Topics do Twitter.

A tag faz referência à fala de Bolsonaro em um café da manhã com jornalistas na sexta-feira (19). Ele disse que Leitão mente ao dizer que foi torturada no período da ditadura militar, nos anos 1970.“Ela estava indo para a guerrilha do Araguaia quando foi presa em Vitória. E depois (Miriam) conta um drama todo, mentiroso, que teria sido torturada, sofreu abuso etc. Mentira. Mentira”, afirmou o capitão da reserva.

No mesmo dia, a Globo divulgou uma nota oficial, lida ao vivo no “Jornal Nacional”, repudiando as declarações mentirosas do presidente. “Essas afirmações do presidente causam profunda indignação e merecem absoluto repúdio. Em defesa da verdade histórica e da honra da jornalista Miriam Leitão, é preciso dizer com todas as letras que não é a jornalista quem mente”, diz trecho da nota.

Já no sábado (20) foi a vez da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) se pronunciar sobre o caso. Também em nota oficial, a entidade representativa da categoria repudiou as declarações do capitão da reserva e lembrou que não é a primeira vez que Bolsonaro mente para atacar a imprensa. “As consequências para a liberdade de expressão e para a segurança de profissionais da imprensa são graves, como mostra o recente cancelamento da participação de Miriam e de seu marido Sergio Abranches na 13ª Feira do Livro de Jaraguá do Sul”, diz o texto.

Tortura 

Miriam Leitão foi presa em 1972, aos 19 anos. Ao contrário do que diz Bolsonaro, na época ela era estudante universitária e filiada ao PCdoB. Atuava na distribuição de panfletos e pichação de muros com críticas à ditadura. Ela nunca teve qualquer participação na luta armada ou cogitou em ir para a Guerrilha do Araguaia, como afirmou o presidente.

“Não estava indo para a guerrilha do Araguaia. Nunca fiz qualquer ação armada”, afirmou Miriam.

Gravidez

Após ser presa, ela foi levada junto com o então companheiro para as dependências do 38º Batalhão de Infantaria do Exército, instalado no Forte de Piratininga, em Vila Velha (ES). Apesar de estar grávida, ela foi submetida a várias formas de tortura por um período de três meses.


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